Mensagem de Meijinhos

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domingo, 14 de outubro de 2012

Tradições

Reza para Cortar o Coxo
Para que se possa fazer esta reza, é necessário que a pessoa que a vai fazer já tenha morto, pelo menos uma vez, uma toupeira com as mãos, com nove pancadas na cabeça. Esta reza tem que ser feita nove vezes, enquanto se traça uma cruz sobre o coxo:
Jesus, santo nome de Jesus.
Credo em cruz.
P’ra tudo o apliquei,
Sapo, sapão, cobra, cobralhão,
Bicho de toda a nação.
Corto-te o rabo, corto-te a cabeça,
Pelo poder de Deus e da Virgem Maria,
Nunca este mal entraria em...........
Pelo poder de Deus e da Virgem Maria,
Apelo para o Senhor São Tiago.
Assim como vem o bem e o amor,
Pelas cinco chagas de Deus Nosso Senhor. Amen.
(Reza-se um Pai Nosso, uma Avé Maria e uma Salvé Rainha)
Reza de Cortar a Ciática
A ciática é uma dor localizada no nervo mais grosso do nosso organismo que pode ser curada através da seguinte reza:
Jesus, santo nome de Jesus.
Credo em cruz. (3 vezes)
Ciática corto, ciática atalho.
Assim como este mal não come,
Nem roía, nem comia, no corpo de.......
Assim como vem o bem e o amor.
Pelas cinco chagas de Deus Nosso Senhor. Amen.
(Pai Nosso, Avé Maria e Salvé Rainha).
Reza para Cortar a Névoa da Vista
A névoa é uma mancha que surge na córnea e que provoca uma visão turva. Para curar este mal, os mais antigos fazem a seguinte reza:
Jesus, santo nome de Jesus.
Credo em cruz. (3 vezes)
Nossa Senhora pelo mar ia,
Três novelinhos de oiro tinha.
Acontecia que outra névoa,
Desaparecia em.......
Assim como vem o bem e o amor.
Pelas cinco chagas de Deus Nosso Senhor. Amen
(Pai Nosso, Avé Maria e Salvé Rainha).
Reza para Cortar a Inveja
Jesus, santo nome de Jesus.
Credo em cruz. (3 vezes)
Casa varrida, saco molhado,
Vai-te daqui inveja e mau olhado.
Pelo poder de Deus e da Virgem Maria,
No corpo de........, este mal entraria.
Apelo p’ró Senhor São Tiago.
Assim como vem o bem e o amor.
Jesus Cristo Nosso Senhor. Amen.
(Pai Nosso, Avé Maria e Salvé Rainha).
Reza para Cortar o Medo
Esta oração é proferida nove vezes, ao toque das Três Trindades. Infelizmente, esta tradição já caiu em desuso nesta freguesia.
Jesus, santo nome de Jesus.
Credo em cruz. (3 vezes)
Medo vai-te daqui,
Que anda a Santíssima Trindade
Atrás de ti.
(Pai Nosso, Avé Maria e Salvé Rainha).
Reza para Cortar o Unheiro
O unheiro é uma inflamação que surge na zona entre o dedo e a unha, devendo fazer-se a seguinte reza para o curar:
Jesus, santo nome de Jesus.
Credo em cruz. (3 vezes)
- Maria, que tens? — Unheiro.
- Unheiro corto a Maria,
Borbulhas e borbulhões,
Que se esmiucem como carvões.
Pelo poder de Deus e da Virgem Maria.
Apelo p’ró Senhor São Pedro, São Paulo,
São Tiago e São Silvestre.
Tudo isto que faço me preste.
Assim como veio o bem e o amor.
Pelas cinco chagas de Deus Nosso Senhor. Amen.
(Pai Nosso, Avé Maria e Salvé Rainha).
Reza para Cortar o Sol
Esta reza, de tradição muito antiga, serve para curar as insolações. Coloca-se um guardanapo rendado na cabeça do paciente e deita-se-lhe um copo de água. Reza-se nove vezes esta oração:
Deus deu o Sol,
Deus deu a Lua,
Deus tire o mal desta criatura.
São Clemente no mundo andou,
O sol e a lua talhou.
Com que o talharia?
Com um pano de olhos e água fria.
(Pai Nosso e Avé Maria).
Dadas
As dadas servem para curar as dores de cabeça: colocam-se videiras ao lume e, depois de arderem, pega-se nas brasas com as mãos e deitam-se numa vasilha com água, à medida que se vai rezando. Esta oração é rezada nove vezes:
Jesus, santo nome de Jesus.
Credo em cruz. (3 vezes)
Deus te fez, Deus te criou,
Deus te desacanhe do mal que te acanhou.
(Pai Nosso, Avé Maria e Salvé Rainha).
Salapismos
Os salapismos eram cataplasmas feitas com papas de linhaça que, por sua vez, eram feitas a partir de linhaça fervida com malvas e mostarda em pó. Estas cataplasmas eram colocadas no peito do doente, em casos de gripe, ou na face, em casos de dores de dentes. Os salapismos aí ficavam até secarem e curarem.
Cortar o Coxo das Toupeiras
Deve-se lavar o coxo com vinho quente e atar-lhe, de seguida, um naco de carne gorda de porco, com um pano preto.
Estancar o Sangue
De acordo com os mais idosos, antigamente estancava-se o sangue com teias de aranha ou com “ervas dos golpes” pisadas.
Águas Medicinais
Em Covas do Barroso, acredita-se no poder que certas águas santas e mineralizadas têm para curar uma grande diversidade de doenças. Nos arredores da aldeia, existe uma nascente de água que possui enxofre, o que leva estas gentes a pensar que essa água cura o reumatismo e as doenças de pele.
Palhas-Alha
As palhas-alha são as folhas secas dos alhos que podem, segundo a tradição popular, ser usadas para curar o coxo (o coxo é uma erupção cutânea, atribuída à passagem de animais venenosos pela roupa no estendedouro).
Para terem este poder curativo, as palhas-alha são queimadas e à sua cinza junta-se o azeite, com o intuito de formar uma espécie de creme. Passa-se depois no lugar onde o coxo apareceu, durante o período de tempo que for necessário para o seu desaparecimento.
Reza para Fazer o Pão
Depois de amassar o pão, faz-se uma cruz na massa e reza-se uma das seguintes orações:
Crescente levente,
São Vicente te levede,
E São João faça bom pão.
São Crescente, São Crescente,
Santa Isabel te levede,
São Crescente te acrescente.
São Crescente te levede,
Deus te dê a virtude,
Que eu da minha parte
Fiz o que pude.
Depois de se ter colocado o pão no forno, faz-se uma cruz sobre este e reza-se a seguinte oração:
Cresça o pão no forno,
Saúde a seu dono,
Paz em intenção pelo mundo todo.
Pai Nosso e Avé Maria pelas almas.

A literatura popular transmontana é riquíssima e, no que concerne a esta freguesia, são várias as lendas que foram sendo contadas, oralmente, às gerações mais novas, perpetuando histórias que marcaram a vida das gentes de Covas do Barroso. Destas lendas, destacam-se as que dizem respeito à padroeira da freguesia e à bruxaria no Castro do Poio.
Lenda da Padroeira da Freguesia
Antigamente, quando a padroeira ainda se encontrava na sua mísula, as crianças contavam uma lenda sobre ela. A Senhora trazia o Menino Jesus ao colo e este tinha, debaixo do braço, uma bola que representava o mundo. As crianças acreditavam que, quando a bola caísse, seria o fim do mundo, daí que tivessem adquirido o hábito de se ajoelharem e rezarem, sempre que passavam pela Igreja, na ida para a escola, para que tal não acontecesse.
Lenda da Bruxaria no Castro do Poio
Conta a lenda que, há muito tempo, se fazia bruxaria no Castro do Poio. Diz-se que as pessoas que a faziam se punham dentro da terceira muralha do castro, à meia-noite, com o Livro de São Cipriano, invocando o diabo. Este não podia entrar no Castro e era obrigado a obedecer às ordens delas.

Ao longo do ano, há determinadas épocas que são vividas com maior intensidade pelos simpáticos habitantes de Covas do Barroso, dando-se especial relevância às Colheitas, à Desfolhada, à Matança do Porco, ao Carolo, às Endoenças, à Via-Sacra, à Serrada da Velha e ao Entrudo.
Festa das Colheitas
A Festa das Colheitas era uma das tradições mais marcantes da freguesia, mas, infelizmente, há mais de quinze anos que não se realiza.
No Domingo de São Miguel, os habitantes organizavam-se por bairros e ofereciam alguns dos produtos agrícolas que tinham em casa. Carregavam-se, então, os carros de bois que eram levados, posteriormente, para o Cruzeiro, local onde se juntava todo o cortejo e onde se procedia ao leilão das ofertas. O dinheiro obtido com o leilão revertia a favor da Igreja, para que esta pudesse fazer melhoramentos.
Desfolhada
Quando, na época do São Miguel, o milho está seco, procede-se ao seu corte, sendo, depois, transportado para a eira. À noite, é costume o dono ir chamar gente para vir ajudar na desfolhada. Juntam-se, então, todos em redor do milho e a desfolhada começa.
Antigamente, havia cantares tradicionais para esta actividade, mas, nos dias de hoje, os intervenientes limitam-se a discutir variados assuntos relacionados com a vida da aldeia.
Durante a desfolhada, é habitual o dono dar vinho, aguardente e castanhas assadas (bilhós) às pessoas que vinham ajudar. No final, as espigas são transportadas em cestos para os típicos canastros.
Em tempos idos, os mais jovens gostavam bastante de participar nas desfolhadas. Este gosto devia-se ao facto de, no meio das espigas de milho branco ou amarelo, aparecerem algumas de cor vermelha (milho-rei). Quando aparecia um exemplar de milho-rei, o rapaz ou a rapariga que o encontrassem tinham o direito de beijar todas as raparigas ou rapazes presentes. Era, muitas vezes, nas desfolhadas que alguns casais iniciavam o namoro.
Matança do Porco
Os preparativos da Matança do Porco começam na véspera: não se dá de comer aos porcos que vão ser mortos no dia seguinte, afiam-se as facas, preparam-se os alguidares de barro, as carquejas e a palha.
No dia marcado para esta actividade, as mulheres da casa levantam-se de madrugada para colocarem os potes ao lume, destacando-se o facto de cada um desses potes levar, aproximadamente, quinze litros de água. Depois, chega o matador. Os homens matam o “bicho” com pão, rabanadas, figos secos e aguardente. Depois de terem ganho energias, os homens agarram o porco e deitam-no sobre o banco, para que o matador o possa sangrar. As mulheres, por sua vez, seguram no alguidar com o sangue. Seguidamente, chamuscam-se os porcos com carquejas e palha, utilizando as facas e pedras ásperas  para lhe raspar a pele. Posteriormente, lavam bem o porco, abrem-no e tiram-lhe as entranhas.
Entretanto, na cozinha, coze-se o sangue que os homens irão saborear com cebola, azeite, pão e vinho.
Depois destes procedimentos, os porcos são pendurados numa trave da despensa.
Durante a tarde, as mulheres lavam as tripas no rio e viram-nas do avesso, com a ajuda de uma roca. As tripas são, posteriormente, temperadas com sal, para que possam ser feitos os tradicionais enchidos.
No dia seguinte, ocorre a desmancha, que consiste em cortar o porco em pedaços, lançando-os, depois, na salgadeira, onde permanecem submersos em sal.
Festa do Carolo
Na freguesia de Covas do Barroso, existe uma festa dedicada às almas, na qual se procede à distribuição do pão e do vinho pelos presentes, sejam eles ricos ou pobres. Trata-se da Festa do Carolo, que se realiza no dia 14 de Junho, ou seja, no dia seguinte à celebração do Santo António.
Nesta festa, é costume o povo dar milho, vinho, centeio e dinheiro. O milho é, depois, vendido e, com o dinheiro obtido, compra-se mais centeio. É habitual, um dos bairros da aldeia ficar encarregado de moer o centeio e cozer o pão no forno do povo.
No dia 14, é rezada a missa pelas almas, no final da qual o padre benze o pão e o vinho que serão, depois, distribuídos pelas pessoas presentes. Terminada a distribuição, é tocado o sino e todas as pessoas rezam, em silêncio, pelas almas dos que já partiram deste mundo.
É, igualmente, costume da freguesia, no final dos enterros, fazer uma distribuição de pão e de vinho pelas pessoas que assistiram à missa de corpo presente. 
Via Sacra
Na Sexta-Feira Santa, faz parte da tradição o povo de Covas do Barroso seguir o Caminho de Cristo ao Calvário através da Via Sacra, ao longo de quinze cruzes que se encontram espalhadas desde a Igreja até um pinhal próximo. Em cada cruz, é lida, pelos jovens da aldeia, uma das estações da Via Sacra.
Endoenças
As Endoenças celebraram-se pela última vez, nesta freguesia do concelho de Boticas, no ano de 1940.
As Endoenças celebravam-se na Quinta e na Sexta-Feiras Santas, sendo habitual que, nesses dois dias, a Igreja ficasse coberta de cortinas vermelhas e azuis. Destacava-se, igualmente, uma banda musical, doze padres e um orador.
Durante a cerimónia, apareciam, envoltas pelas cortinas, as imagens do Senhor do Horto, do Senhor da “Cana Verde”, do Senhor “da Cruz às Costas” e de Nossa Senhora, conforme o que era ordenado do púlpito pelo orador. Sobressaíam, também, doze velas que iam sendo apagadas à medida que iam aparecendo as imagens. No final, realizava-se uma procissão em volta da Igreja, com a imagem de Nossa Senhora.
Devido às grandes despesas que esta festa implicava, realizava-se, apenas, de dois em dois anos e, mais tarde, veio mesmo a extinguir-se.
A cerimónia das Endoenças teve origem no IV Concílio Nacional de Toledo, realizado em 633. Foi, então, determinado que, na Sexta-Feira Santa, o povo se reunisse nas igrejas para assistir ao Ofício Divino e que todos em volta pedissem indulgência pelos seus pecados, a fim de poderem comungar dignamente, no Domingo da Ressurreição. Mais tarde, as Endoenças passaram a designar o conjunto de cerimónias que se realizavam nesse dia.
Carro do Galo
O Carro do Galo é uma tradição com mais de um século que visa celebrar a figura do professor da aldeia. Assim, todos os anos, no Domingo Gordo, sai à rua um carro semelhante ao dos bois, mas ligeiramente mais pequeno. Este carro leva ofertas dos alunos que, de acordo com a tradição, devem ser compostas por um coelho, uma galinha, vinho, doces e um galo.
Actualmente, como existem na aldeia vários professores, são feitos vários carros e, previamente, realiza-se um peditório junto dos pais das crianças, para que se possa proceder à compra das oferendas.
Em tempos idos, só as crianças e os professores seguiam os carros e, em certas casas, dava-se de comer aos miúdos, quando estes passavam por lá.
Nos dias de hoje, para além da criançada e dos professores, os pais, os avós, os irmãos e outras pessoas também podem participar no cortejo.
Serrada da Velha
Diz a tradição que, numa noite de Quarta-Feira de Quaresma, os rapazes da aldeia roubam um carro de bois, colocam-se em cima dele e levam-no até à povoação, fazendo-o chiar. É costume levarem um cortiço e, quando chegam perto das casas das mulheres que já são avós, começam a serrá-lo e a gritar em diversas vozes:
- “Ai, minha velhinha, que tanta codinha me deste!”.
Entrudo
No dia do Entrudo, era tradicional representar-se um teatro, cujo enredo constava do seguinte: o Entrudo rouba couves da horta da Quaresma; esta mata-o e acaba por ser julgada pelo crime hediondo; no tribunal, são criticadas as acções cometidas por ambos, na presença dos juízes, advogados e testemunhas; a Quaresma defende-se, dizendo que o Entrudo era “ladrão e um lambão”; a sentença acaba por ser proferida e a Quaresma é condenada a sete semanas de duração.
Os Motes
Durante cerca de seis meses, os rapazes da aldeia escreviam quadras às raparigas. Um animal morria na aldeia e, através das quadras, era dividido, simbolicamente, pelas raparigas. Assim, criticava-se um aspecto físico ou moral de cada uma delas. Tradicionalmente, eram lidos na Terça-Feira de Cinzas ou no Domingo Gordo.
Actualmente, as raparigas também fazem motes aos rapazes. Em 1993, no Domingo Gordo, depois de terem desfilado com a vaca, feita de papel, que ia ser, depois, dividida, as raparigas leram os seguintes motes aos rapazes de Covas do Barroso.
Pedimos a vossa atenção
Para o que vamos contar:
Os compadres mataram uma vaca
Para de carne se poderem fartar.
Andava o pobre animal
No lameiro a pastar,
Quando eles se lembraram
De a vida lhe tirar.
Depois de ela estar morta,
Começou a discussão:
Uns queriam-na levar toda,
Outros diziam que não.
Por fim chegou o marchante,
Que pôs termo à questão
Dizendo: - Sou eu quem parto
E faço a divisão.
Ficou tudo em silêncio,
Para ver o que saía.
- Ninguém há-de ficar mal -
O marchante assim dizia.
I. O Paulo do Treze,
Por ser novo na função,
Ia pegar nos rins
Mas deram-lhe um empurrão.
II. O Agostinho do Castro,
Por ser muito envergonhado,
Diz que não queria que o vissem
Pegar na caroca do rabo.
III. Então o irmão Bino
Disse logo muito lampeiro:
- Eu cá não tenho vergonha
de ir buscar carne ao cruzeiro.
IV. O Domingos da Costa
Julga-se um rapaz bonito,
Levou a gola da vaca
Para fazer um apito.
V. O António Manuel da Costa
De alcunha, o Pepino
Com tanta fome que tinha
Agarrou-se ao intestino.
VI. O Guilherme da Cerdeda
Para seu grande castigo,
Mesmo a tremer-lhe as pernas
Fugiu logo com o umbigo.
VII. O Jaime do Bento
Por ter prosa no andar
Levou o mijo da vaca
Por ter bom paladar
VIII. O Arménio da Dozinda
Por ser muito iludido,
Levou a madre da vaca
Para ficar mais bem servido.
IX. Diz então o irmão Carlos
Quase a gozar o parceiro:
- Eu cá não ando às migalhas
Levo o soventre inteiro.
X. O Fernando do Vicente,
Disse com irritação:
O meu bocado escolho-o eu
Porque sou o patrão.
Por fim não foi muito longe,
Nem usou de muita manha
Levou as patas de trás
Para correr para a ordenha.
XI. O João Carlos do Pôdancio
Torceu a cabeça para o lado,
Assim que viu tanta carne
Caiu logo desmaiado.
XII. O Alfredo do Bento
Por ter a idade avançada,
Levou a passarinha da vaca
Por ser a melhor talhada.
XIII. O Carlos do Alíbio
De tanto pensar ficou careca,
Por fim levou as canelas
Para fazer uma rebeca.
XIV. O Aníbal da Carolina,
Por ser de cor amarela,
Demos-lhe o sangue da vaca
Para fazer uma cabidela.
XV. O Pedro do Jaco,
Por ser um bom estudante
Levou o pescoço da vaca
Por ser o mais importante.
XVI. O seu irmão Zé Miguel
Por ser cheio de treta
Levou a bexiga da vaca
Para fazer uma pandeireta.
XVII. O Jaime do Pena
Por ter o sono pesado,
Ia ficando sem nada
Porque chegou atrasado.
Olhou para todos os lados
E em todos os sentidos,
Só já apanhou os ossos
Por ficarem esquecidos.
XVIII. O Zé do Buraco
Por vir lá da capital,
Levou para o seu quartel
As tetas do animal.
XIX. O irmão Francisco
Por andar muito à geada
Pegou nos lombelos da vaca
Para comer de madrugada.
XX. O Zé Carlos do Felício
Por ser muito calado
Damos-lhe a língua da vaca
Para ficar mais espevitado.
XXI. Então o Valdemar
Por ser muito lavadinho,
Encheu-se de remexer
Para se agarrar ao focinho.
XXII. O Carlos do Vigário
Por nunca na função ter entrado
Levou o peito da vaca
Para ficar bem avezado.
XXIII. O João da Profetina
Por ser um bom carpinteiro,
Levou o unto da vaca
Para gastar pouco dinheiro.
XXIV. O seu irmão Fernando
Por ser muito repentino,
Levou a cabeça inteira
Para ficar com mais tino.
XXV. E diz então o António:
- Eu cá não fico calado,
Não saio daqui p’ra fora
Se não me deres um bocado.
XXVI. O Zé da Helena
Por ser o mais barrigudo,
Levou o bucho da vaca
Para comer no dia de Entrudo.
XXVII. O irmão Alexandre
Por ser um bocado zaralho,
Levou as tripas de rastos
Para não estar com mais trabalho.
XXVIII. O Armando da Aida
Por ser como o bacalhau,
Levou o fígado da vaca
Para fazer o seu minguau.
XXIX. O Domingos da Currais
Cá p’ra nós só tem garganta,
Levou um bocado do lombo
Para comer mais a Branca.
XXX. O Fernando da Fonte
Por ser um bom presidente,
Correu logo ao cruzeiro
Mandar calar toda a gente.
Mas de irritado que estava
Começou logo no gozo:
- Eu quero a vaca toda
P’ra ter o voto do povo.
XXXI. O Paulo do Revisor
Por ser branco como o papel,
Levou os sessenta folhos
Para fazer um farnel.
XXXII. O João do Reguengo
Por andar perdido de amor,
Damos-lhe o coração
Para suportar melhor a dor.
XXXIII. O Manuel Pequeno
Por ter respiração fraca,
Para melhor resistir
Damos-lhe os pulmões da vaca.
XXXIV. O Zé Manuel do Americano
Por ser de corpo direito,
Disse que queria os dentes
Porque lhe faziam jeito.
XXXV. O João da Sapata
Por ser duro como o zinco,
Leva as orelhas da vaca
Para pendurar o brinco.
XXXVI. O Manuel da Rita
Por ser muito preguiçoso,
Levou os queixos da vaca
Para ficar mais corgidoso.
XXXVII. O seu irmão Carlos
Até lhe suava a testa,
Fugiu com as costelas
Para comer na floresta.
XXXVIII. Veio então o Fernando
Com o seu andar escangalhado,
Não viu mais a que se agarrar
Levou as sedas do rabo.
Ainda havia mais coisas para dar
Mas para mostrar educação
Não quisemos abusar
Ficam para outra ocasião.
Pedimos muita desculpa,
E se alguém ficou ofendido
Para outra vez será
O primeiro a ser servido.
Tudo o que fizemos
Não foi para magoar,
Apenas para a tradição
Não deixarmos acabar.
Agora que está no fim
E que tudo acabou.
Nós é que não divertimos
Coitado de quem pagou.

Os Reis
Na noite de 5 de Janeiro, era habitual os jovens da aldeia juntarem-se para pedir os Reis. Quando chegavam à casa dos restantes habitantes, começavam a cantar os Reis e os donos da casa davam-lhes chouriças, ovos, salpicões e dinheiro. No final, com a comida que conseguissem recolher, faziam uma festa a que chamavam “A função dos Reis”. Com o dinheiro obtido, os jovens mandavam rezar três missas aos três Reis Magos, por intenção das almas do purgatório.
Os Três Reis do Oriente,
Já marchavam p’ra Belém,
Para ver o Deus menino
Que Nossa Senhora tem.
Ó que pinheiro tão alto,
À porta veio nascer,
À porta desta senhora
Para nos dar de beber.
Para nos dar de beber
Quatro ou cinco ou seis.
Venha-nos abrir a porta,
Venha-nos dar os reis.
Quer nos dê, quer nos não dê
Estejam todos reunidos.
Oxalá daqui a um ano,
Estejamos todos vivos.
Se nos quiser dar os reis
Não nos esteja a demorar.
Nós somos de muito longe
Temos muito para andar.
Se nos quiser dar os reis
Não os mande pela criada,
Que ela tem a mão pequena,
Dá-nos pequena talhada.
Quando o dono da casa não lhes dava nada, no dia seguinte, voltavam lá para lhos descantar:
Os reis que ontem aqui cantamos,
Vimos hoje descantar.
Este barba de farelos
Não teve nada que nos dar.
Casamentos
Em tempos idos, os casamentos eram celebrados na freguesia de uma forma especial, tal como refere Pinho Leal, na célebre obra Portugal Antigo e Moderno:
“São curiosíssimos, pela antiguidade que revelam, os casamentos n’esta freguezia. Na manhan das bodas, vem o noivo com os seus à habitação da noiva, onde estão reunidos os parentes d’ella. Bate à porta várias vezes, até que os de dentro parlamenteiam, perguntando: - Quem é, o que quer? Responde o noivo: É F... que aqui vem buscar honra, gente e fazenda.
- Entre, que tudo encontrará.
Então as raparigas offerecem à noiva flores e doces de várias qualidades. Os noivos acceitam. Provam os doces, que depois são comidos pelos padrinhos e pelos convidados. Isto tudo acompanhado com versos mais ou menos mancos, coxos e insipidos. Antigamente as raparigas offereciam à noiva uma pomba, e a noiva, quando se abria a porta ao seu futuro, lhe atava uma fita à cinta. Hoje são dispensadas estas duas formalidades”.

As tradições de um povo sobressaem, também, através das suas festas religiosas. No que concerne a esta freguesia, realizam-se festas em honra de Nossa Senhora da Saúde, Santo António, São João e São José.
Nossa Senhora da Saúde
A festa em honra de Nossa Senhora da Saúde realiza-se no primeiro Domingo de Junho.
Esta festividade teve origem numa promessa feita pelo povo à Santa, uma vez que uma febre muito grave estava a semear a morte em grande parte da população da aldeia. Os habitantes decidiram, então, prometer que, caso a Senhora da Saúde os curasse daquela febre, lhe dedicariam uma festa, todos os anos.
Esta festa é, habitualmente, abrilhantada por um conjunto musical e por uma banda, sendo, igualmente tradicionais a eucaristia e a procissão, com cinco andores e respectivos figurantes (crianças da aldeia).
Na noite de Sábado, é costume realizar-se uma procissão, da Capela até à Igreja, com o andor da Senhora do Rosário. Trata-se da procissão das velas.
Santo António
Santo António, que para muita gente é o santo casamenteiro por excelência, tem para os habitantes de Covas do Barroso um significado especial, já que é considerado o patrono dos animais. Assim, o povo desta freguesia, no dia 13 de Junho, faz uma festa em sua honra, com o intuito de que ele proteja os animais, uma vez que a pecuária continua a ser uma das principais actividades económicas da aldeia.
Em tempos idos, fazia parte da tradição alguém oferecer, todos os anos, um leitão ao santo. Esse animal dormia, depois, em qualquer lugar e ia à casa das pessoas para ser alimentado. No final do ano, era vendido num animado leilão e o dinheiro obtido com a sua venda revertia a favor da festa de Santo António.
São prometidos, ainda hoje, a Santo António coelhos, leitões, carne de porco (orelheiras, pé de porco...), ovos e galinhas, sempre com a intenção de pedir ao santo protecção para os animais. Estas ofertas são leiloadas num dos cruzeiros da aldeia, no Domingo, depois da missa.
É tradicional oferecer-se o carolo (distribuição de pão e vinho) a todas as pessoas que se encontram no local da festa.
São João
Na noite de São João, é costume da freguesia os rapazes roubarem vasos de flores e colocarem-nos no telhado do Forno do Povo, onde, no dia seguinte, os donos têm de ir buscá-los.
No entanto, a juventude entretém-se a pregar outro tipo de partidas, tais como: roubar carros de bois e trancar as ruas com os mesmos.
São José
A romaria em honra de São José tem lugar na povoação de Romainho, no dia 19 de Março (Dia do Pai). Mas, a população desta localidade venera este santo enquanto patrono dos trabalhadores.
Festa das Crianças
Num Domingo do mês de Julho, em data marcada, previamente, pelo pároco de Covas do Barroso, as crianças fazem a sua Primeira Comunhão ou a Comunhão Solene. Essa celebração, de grande importância para os mais novos, ocorre por volta das onze da manhã. À tarde, o pároco, os catequistas, as crianças e os pais reúnem-se junto à acolhedora e refrescante sombra de uns carvalhos, que se situam perto da aldeia, e fazem um piquenique.

MEDICINA CASEIRA

Noutros tempos as pessoas não procuravam médicos quando se sentiam doentes, utilizando elas os seus próprios métodos para curar certas doenças.


    CABELO - As raparigas para fazerem crescer o cabelo entalavam uma madeixa numa cana em crescimento.

    CONSTIPAÇÃO - Comiam alho, ingerindo chá de sabugueiro ou uma  "borracheira" de vinho quente com mel, ao deitar.

    DOR DE BARRIGA - Quando as crianças se queixavam de dor de barriga untavam-na com azeite quente

    CIÁTICA - É uma doença rebelde que começa na nádega e se estende dolorosamente pela perna. Além do uso de panos quentes, pomadas e fricções, comiam alho descascado em jejum durante nove dias.

    QUEBRANTO - Doença que se revela com fraqueza e abatimento físico, proveniente dos males do estômago, figado e dos rins.
A superstição popular tomava-o por mau olhado e recorria ás rezas.

    CRAVO - Nesta pequena excrescência que se forma na pele da cara ou das mãos faziam-lhe sangue e deitavam-lhe leite de figos ou apegavam-se à Santa Eufémia com promessas.

    ESPINHELA CAÍDA - Era medicada com rezas e esticões dos braços e das pernas para que, no dizer das rezadeiras, um não ficasse mais curto que o outro.

Rezas Populares



Contra a Cabrita e Névoa:
Cabritaquando os olhos estão ou ficam vermelhos.
Ingredientes – pau de sabugueiro verde e uma faca.
            Começa-se a raspar o pau e atirar-lhe a casca, enquanto se reza:
Névoa – quando junto da menina do olho, aparece uma espécie de pinta.
A pessoa que vai rezar trinca:
            1 folha de louro
            1 avelã
1 dente de alho
Abre o olho da pessoa e sopra-lhe. O olho começa a chorar e sara. Tanto para a cabrita como para a névoa a reza é a mesma.
            Oração :
(Nome da pessoa)... que tens tu nesse olho (direito ou esquerdo)?
É cabrita?
Ou cabrito?
Ou névoa ou nevoeiro?
Eu te corto, neste pau de sabugueiro.
Pai-nosso; Avé-Maria; Salvé-Raínha ( 9 vezes).



 

Rezar ao Zagre:

Para rezar ao zagre é preciso erva-doce ou funcho do monte, uma tigela com água e sal.
Pega-se em três ramos de funcho e molha-se na água. Passando depois em cruz e em volta, diz-se:
Estando Deus e mais Mateus
Numa fonte plenária
Disse Deus para Mateus:
-          Cura-me este zagre Mateus
Curai-o vós Senhor
Que tendes todo o poder
Eu vos entrego o meu poder
Com água da fonte,
Funcho do monte,
Sal marinho,
E água da fonte.
            3 avé-Marias e 1 Salvé_raínha


Talhar ao mau olhado:

Mau olhado – provoca com o olhar, voluntário ou involuntário, desgraça ou doença, em coisa, animal ou pessoa.
Ingredientes  - moeda antiga que tenha no verso uma cruz gravada e um colete de rapaz.
Vão-se passando, a moeda e o colete, sobre o corpo da pessoa ou do animal dizendo:
            Dois olhos te deu
Três te tiraram
S. Pedro, S. Paulo
E o milagroso S. João
Assim como do mar salgado
Sai o sal salgado
Saia (desta pessoa ou animal)
Todo o mal que lhe deram
Ar, cobranto ou olhado
Se te deu pela frente
Que te corte S. Vicente
Se te deu por trás
Que te corte S. Brás
Se te deu à hora do meio dia
Que te corte a Virgem Maria
Diz-se 5 vezes todos os dias, até a pessoa ou animal ficarem curados.

REZA AO OLHADO


ASSIM TE BENZA DEUS
ASSIM TRÊS VEZES
DEUS TE GEROU
DEUS TE CRIOU
E DEUS TE ABENÇOOU.

OS BONS OLHOS TE VEJAM
E OS MAUS, ESTOIRADOS TE SEJAM.

DOIS TE DERAM, TRÊS TE HÃO-DE TIRAR
QUE SÃO AS TRÊS PESSOAS DA SANTISSIMA TRINDADE
É  PAI, FILHO E ESPIRITO SANTO.

ASSIM COMO AS PORTAS DO CÉU
ESTAVAM VIRADAS PARA O MAR
ASSIM COMO ISTO É VERDADE, TODO O MAL TE HÁ-DE LEVAR.

EU PONHO A MINHA MÃO E O SENHOR PÕE A SUA PALMA.
ESTE MAL SE DESFAÇA COMO O SAL NA ÁGUA.

   - PAI NOSSO E AVÉ-MARIA
   - A REZA, REPETE-SE TRÊS VEZES SEGUIDAS

Rezar ao quebranto:

Antes de se começar a rezar, deve benzer-se e dizer o nome da pessoa, com calma.
Deus me fez e Deus me criou
E Deus me desolhe para quem a mim mal olhou
Quebranto me deu e quebranto me daria
Que a Virgem Santa Maria meta tudo na sua santa surgia.
            Reza-se de seguida o Pai-Nosso e a Avé-Maria.


Rezar à augação:

Para tirar a augação é preciso que as pessoas mais idosas, e que saibam, façam uma broa com azeite e farinha de pão
Depois de cozida, as pessoas dão a broa às crianças ou comem mesmo elas. Mas tem de comer-se 9 fatias. Caso não se consiga comer tanta broa é necessário deitar o restante da broa ao rio para que a corrente a arraste consigo e deste modo tire a augação.

Cortar a peçonha:

Pessonha: quando aparecem borbulhas co  “aguadilha” e com tendência a alastrar pelo corpo, com comichão.
A peçonha é provocada pela passagem de algum bicho pessonhento pela pele.
Tem que se ter brasas e uma faca.
Passa-se a faca por cima das brasas e, depois, em volta e em cruzes por cima do mal. Não se pode lavar a parte do corpo afectada.
Diz-se assim:
            Eu te corto bicho, bichão
            Aranha, aranhão
            Sapo, sapão
            Cobra, cobrão
            Bicho de qualquer nação
            Que andar de rastos pelo chão
            Eu lhe corto cabeça e rabo
            Em louvor das pessoas da Santíssima Trindade
            Que é Pai, Filho e Espírito Santo
Em louvor de S. Silvestre
Que ele é verdadeiro mestre
Tudo quanto te faço te preste.
Pai-Nosso, Avé-Maria, Glória, reza-se 9 vezes, Salvé-Raínha.


Ventre caído:

Oração: (nome da criança)
            Se tem o ventre caído
            Com a graça de Deus
Te seja erguido.
Se tens o baço virado
Que vá ao seu lugar
Como dantes era
Deita-se a criança de barriga para baixo, no regaço da pessoa que está a erguer o ventre. Unem-se as pernas, da criança, e se não ficarem do mesmo comprimento, medido pela covinha da perna, é sinal de que tem o ventre caído.
            A reza começa com o nome da pessoa doente, a criança. Enquanto se faz a reza, com o dedo molhado no azeite, que está propositadamente entornado no cu de uma malga, fazem-se tantas cruzes como o tempo que leva a dizer a reza nas duas covinhas das pernas e nas costas. Cada vez que se reza e se fazem as cruzes, a criança é posta na vertical, de cabeça para baixo, e dão-se-lhe umas palmadinhas nos pés que é para acertar as pernas.
A oração repete-se três vezes com o doente nesta posição, rezando 1Pai-Nosso, e 1 Avé_Maria no fim de cada vez.
            Voltado, o doente, de barriga para cima, é-lhe feita a mesma coisa mas no umbigo, e o mesmo número de vezes. Por fim, o resto do azeite que está no cu da malga é entornado na barriga e com a mão aberta fazem-se massagens de baixo para cima, só na zona do umbigo e sempre na mesma direcção. Espalhado todo o azeite, é colocada uma moeda no umbigo do doente e apertado com uma fralda de tecido branco. No dia seguinte repete-se a operação, e isto durante três dias seguidos.
Encomendar as almas por as penas do pergatório
Encomendava-se as almas às 9 horas da noite no tempo da Quaresma.
Alerta, alerta, a vida é curta, a morte é certa.
Irmãos meus e filhos do Nosso Senhor Jesus Cristo, rezai um padre-nosso c’uã Ave-
Maria pelas almas que estão nas penas do pergatório, quem puder, será por o divino amor de
Deus.

Cantar nove vezes e em seguida dizer a Salve-Rainha.

As doze palavras ditas e retornadas
- Custódio, amigo meu!
- Questódio sim, amigo teu não!
- Diz-me as doze palavras ditas e retornadas.
- Digo-te a primeira: a primeira é a primeira casa santa de Jerusalém, onde nosso
Senhor Jesus Cristo morreu por mim, ámen.
- Custódio, amigo meu!
- Questódio sim, amigo teu não!
- Diz-me as doze palavras ditas e retornadas.
- Digo-t’as duas: as duas são-nas duas tabuinhas de Moisés, onde nosso Senhor Jesus
Cristo pôs os seus sagrados pés; a primeira, casa santa de Jerusalém, onde nosso Senhor Jesus
Cristo morreu por mim, ámen.
- Custódio, amigo meu!
- Questódio sim, amigo teu não!
- Diz-me as doze palavras ditas e retornadas.
- Digo-t’as três: as três são-nas três pessoas as Santíssima Trindade; as duas são-nas
tabuinhas de Moisés, onde nosso Senhor Jesus Cristo pôs os seus sagrados pés; a primeira é a
primeira casa santa de Jerusalém, onde nosso Senhor Jesus Cristo morreu por nós, ámen.
 - Custódio, amigo meu!
- Questódio sim, amigo teu não!
- Diz-me as doze palavras ditas e retornadas.
- Digo-t’as quatro: as quatro são-nos quatro evangelistas; as três são-nas três pessoas
as Santíssima Trindade; as duas são-nas tabuinhas de Moisés, onde nosso Senhor Jesus Cristo
pôs os seus sagrados pés; a primeira é a primeira casa santa de Jerusalém, onde nosso Senhor
Jesus Cristo morreu por nós, ámen.
- Custódio, amigo meu!
- Questódio sim, amigo teu não!
- Diz-me as doze palavras ditas e retornadas.
- Digo-t’as cinco: as cinco são-nas cinco chagas; as quatro são-nos quatro
evangelistas; as três são-nas três pessoas as Santíssima Trindade; as duas são-nas tabuinhas de
Moisés, onde nosso Senhor Jesus Cristo pôs os seus sagrados pés; a primeira é a primeira casa
santa de Jerusalém, onde nosso Senhor Jesus Cristo morreu por nós, ámen.
- Custódio, amigo meu!
- Questódio sim, amigo teu não!
- Diz-me as doze palavras ditas e retornadas.
- Digo-t’as seis: as seis são-nos seis chiros bentos; as cinco são-nas cinco chagas; as
quatro são-nos quatro evangelistas; as três são-nas três pessoas as Santíssima Trindade; as
duas são-nas tabuinhas de Moisés, onde nosso Senhor Jesus Cristo pôs os seus sagrados pés; a
primeira é a primeira casa santa de Jerusalém, onde nosso Senhor Jesus Cristo morreu por
nós, ámen.
- Custódio, amigo meu!
- Questódio sim, amigo teu não!
- Diz-me as doze palavras ditas e retornadas.
- Digo-t’as chete: os chete são-nos chete chacramentos; as seis são-nos seis chiros
bentos; as cinco são-nas cinco chagas; as quatro são-nos quatro evangelistas; as três são-nas
três pessoas as Santíssima Trindade; as duas são-nas tabuinhas de Moisés, onde nosso Senhor
Jesus Cristo pôs os seus sagrados pés; a primeira é a primeira casa santa de Jerusalém, onde
nosso Senhor Jesus Cristo morreu por nós, ámen.
- Custódio, amigo meu!
- Questódio sim, amigo teu não!
- Diz-me as doze palavras ditas e retornadas
 - Digo-t’as oito: as oito são-nas oito abenturanças; os chete são-nos chete
chacramentos; as seis são-nos seis chiros bentos; as cinco são-nas cinco chagas; as quatro sãonos
quatro evangelistas; as três são-nas três pessoas as Santíssima Trindade; as duas são-nas
tabuinhas de Moisés, onde nosso Senhor Jesus Cristo pôs os seus sagrados pés; a primeira é a
primeira casa santa de Jerusalém, onde nosso Senhor Jesus Cristo morreu por nós, ámen.
- Custódio, amigo meu!
- Questódio sim, amigo teu não!
- Diz-me as doze palavras ditas e retornadas.
- Digo-t’as nobe: nobe são-nos nobe coros d’anjos; as oito são-nas oito abenturanças;
os chete são-nos chete chacramentos; as seis são-nos seis chiros bentos; as cinco são-nas
cinco chagas; as quatro são-nos quatro evangelistas; as três são-nas três pessoas as Santíssima
Trindade; as duas são-nas tabuinhas de Moisés, onde nosso Senhor Jesus Cristo pôs os seus
sagrados pés; a primeira é a primeira casa santa de Jerusalém, onde nosso Senhor Jesus Cristo
morreu por nós, ámen.
- Custódio, amigo meu!
- Questódio sim, amigo teu não.
- Diz-me as doze palavras ditas e retornadas.
- Digo-t’as dez: os dez são-nos dez mandamentos; os nobe são-nos nobe coros d’anjos;
as oito são-nas oito abenturanças; os chete são-nos chete chacramentos; as seis são-nos seis
chiros bentos; as cinco são-nas cinco chagas; as quatro são-nos quatro evangelistas; as três
são-nas três pessoas as Santíssima Trindade; as duas são-nas tabuinhas de Moisés, onde nosso
Senhor Jesus Cristo pôs os seus sagrados pés; a primeira é a primeira casa santa de Jerusalém,
onde nosso Senhor Jesus Cristo morreu por nós, ámen.
- Custódio, amigo meu!
- Questódio sim, amigo teu não.
- Diz-me as doze palavras ditas e retornadas.
- Digo-t’as onze: as onze são-nas onze mil birges; os dez são-nos dez mandamentos;
os nobe são-nos nobe coros d’anjos; as oito são-nas oito abenturanças; os chete são-nos chete
chacramentos; as seis são-nos seis chiros bentos; as cinco são-nas cinco chagas; as quatro sãonos
quatro evangelistas; as três são-nas três pessoas as Santíssima Trindade; as duas são-nas
tabuinhas de Moisés, onde nosso Senhor Jesus Cristo pôs os seus sagrados pés; a primeira é a
primeira casa santa de Jerusalém, onde nosso Senhor Jesus Cristo morreu por nós, ámen.
- Custódio, amigo meu!
- Questódio sim, amigo teu não!
- Diz-me as doze palavras ditas e retornadas.
- Digo-t’as doze: as doze são-nos doze apóstolos; as onze são-nas onze mil birges; os
dez são-nos dez mandamentos; os nobe são-nos nobe coros d’anjos; as oito são-nas oito
abenturanças; os chete são-nos chete chacramentos; as seis são-nos seis chiros bentos; as
cinco são-nas cinco chagas; as quatro são-nos quatro evangelistas; as três são-nas três pessoas
as Santíssima Trindade; as duas são-nas tabuinhas de Moisés, onde nosso Senhor Jesus Cristo
pôs os seus sagrados pés; a primeira é a primeira casa santa de Jerusalém, onde nosso Senhor
Jesus Cristo morreu por nós, ámen.
- Custódio, amigo meu!
- Questódio sim, amigo teu não!
- Diz-me as doze palavras ditas e retornadas.
- Doze raios tem-no chol, doze raios, tem-na lua.
Abenta daqui diabo, qu’esta alma não é tua!
Doze raios tem-no chol, doze raios, tem-na lua.
Abenta daqui diabo, qu’esta alma não é tua!
Doze raios tem-no chol, doze raios, tem-na lua.
Abenta daqui diabo, qu’esta alma não é tua!

Salve-Rainha

Ó salbé-rainha,
Ó bida deçura,
Ó esperança à nossa,
Salvai a minh’alma,
Qu’ela já é vossa.
Qu’ela já é vossa e vossa,
Ou há-de ser,
Salbai a minh’alma
Cando eu morrer.
Cando eu morrer,
Cando acabar,
 Salbai a minh’alma,
Lobai’à bom lugar.

Salve-Rainha pequenina
Onde bais, ó Birge, que bais tão alegri?
Lebas teu menino albinho de nebe,
Albinho de nebe com’à nebe pura,
Lebas teu menino, ó Salve-Rainha, ó vida deçura.
Salbai a minh’alma qu’ela já é bossa,
Ela já é bossa e sempre o há-de ser.
Salbai a minh’alma, cando eu morrer.
Cando eu morrer, cando acabar,
Lebai a minh’alma p’ra um bom lugar.
Para um bom lugar, lá no paraíso,
Lá no paraíso nos dê juízo
Canto hei-de dar àquele Senhor que nos há-de julgar.

Padre-nosso pequenino
Padre-nosso pequenino
Pelo monte vai rijinho,
Com as chaves do paraíso.
Quem lhas deu, quem lhas daria?
Foi S. Pedro e Stª Maria.
Deus no monte,
Deus na ponte
Nunca o demo nos encontre,
Nem de noite nem de dia,
Nem à hora do mei-dia.
Já os galos cantam,
Canto aos anjos s’alebantam.
Santas belas cruz,
Para sempre, ámen, Jesus.

A Santa Bárbara
Santa Bárbela se bestiu e se calçou,
Ó caminho se deitou,
Jesus Cristo encontrou,
Jesus Cristo lhe perguntou:
- Bárbela, onde bais?
- Vou ó céu, onde nosso Senhor estais.
- Mas, Bárbara bendita, que lá estão os trobões armados,
Bot’ós p’ra onde não haja pão nem binho,
Nem bafo de menino!
- Ambos três ficará minh’alma agradeço ao Senhor,
Meus peitos põe alegres, meu divino Salbador.
- Vai, Bárbela bendita,
Que no céu está escrita,
Com papel e água benta
Nos libre desta tormenta.

Oração a Jesus Maria José,
Salbai a minh’alma,
Qu’ela Vossa é.
Ela é e há-de ser,
Quero amar-Bos até morrer.
Pela vossa Conceição, ó Maria Imaculada, tornai bem o meu corpo, minh’alma
santifiquem

Ao anjo da guarda
Anjos da guarda,
Minha companhia,
Guardai a minha alma
De noite e de dia.

De peregrinos
Lebantei-me de madrugada
E ó cantar do perdigão,
Encontrei Nossa Senhora
C’um ramo d’oiro na mão.
Eu pedi-lhe um bocadinho,
E ela me disse que não.
Eu tornei-lho a pedir,
E ela me deu seu cordão.
Cordão que dava nobe voltas
Ó redor do coração,
Faltava mais uma volta
P’ra chegar do céu ao chão.
Ó meu padre Santo António,
Desatai-me esse cordão,
Que me deu Nossa Senhora
Na manhã do S. João.
São João estava à porta
Com a sua capa revolta,
Preguntando ó menino
Se sabia oração.
Oração de peregrino
Quando Deus era menino,
Ele andava pelo mundo,
Com o seu sangue a pingar.
Trate, trate, Madalena,
Não o hajes d’io alimpar,
Qu’isto são-nas cinco chagas
Que Deus tem para nos dar.

Ao deitar
Com Deus Nosso Senhor me deito,
Com Deus Nosso Senhor me lebanto,
Com a graça do Senhor e do divino Espírito Santo.
O Senhor me cubra com o seu manto.
Se eu co’ ele bem coberto for,
Não terei medo nem pavor,
Nem às coisas que más forem.
A minha alma entrego-a ao Senhor.
Se eu dormir, acordai-me,
Se eu morrer, alemiai-me,
Com as três velas brancas da Santíssima Trindade: Pai, Filho, Espírito Santo,
Três pessoas distintas e um só Deus verdadeiro. Pai-nosso…

Nesta cama me vou deitar,
Para dormir e descansar.
S’a morte me vier buscar,
E não lhe puder falar,
Agarrarei-me aos cravos,
Encostarei-me à cruz,
Entregarei a minha alma,
Ao meu bom Jesus.

De manhã
Anjo da minha guarda,
Meu celeste companheiro,
Não me desampareis
Pelas minhas grandes ingratidões,
Defendei-me de todos os meus inimigos,
Ilustrai-me com santas inspirações
Para que eu não seja mais ingrato.
Ó meu Deus, que me criou,
Ó glorioso protector Santo António,
De quem tenho o mesmo nome,
Pois o céu vos concedeu por mim especial protector,
Rogai por mim a Deus para que eu possa servi-Lo na terra,
Como vós servistes no céu! Ámen. Pai nosso…

Oração em forma narrativa
O mês de Março tem trinta e um dias. Eu me quero assoldadar co’ a birgem Maria.
Assoldadada que vos peço salbação p’rá minha alma, remédio p’rá minha bida, por isso vos
rezamos trinta e uma Ave-Marias (reza-se trinta e uma ave-marias).
No dia vinte e cinco de Março era o dia de Nossa Senhora (antigamente era dia santo).
Benzer-se cem vezes e cem Ave-Marias.
No dia de Nossa Senhora de Março cem Ave-Marias rezei, cem vezes m’incruzei, cem
na véspera, cem no dia co’ a graça de Deus da Birgem Maria (rezar uma Ave Maria e benzerse).

Responso a Santo António – pelas coisas perdidas
Se milagre desejais,
Recorrei a Santo António.
Vereis fugir o demónio,
E as tentações infernais.
Pela sua intercepção,
Foge a peste, o erro e a morte.
O fraco torna-se forte,
E torna-se o enfermo são.
Recupera-se o perdido,
Rompe-se a dura prisão.
E no auge do furacão,
Cede o mar embravecido.
Todos os males humanos,
Se moderam, se retiram.
Digam-no aqueles que o viram,
E digam-no os paduanos.
Glória ao Pai ao Filho e ao Espírito Santo, rogai por nós bem-aventurado António, para que
sejamos dignos das promessas de Cristo, Ámen.

Santo António se bestiu e se calçou,
Suas benditas mãos labou,
Ao caminho se deitou.
Jesus Cristo encontrou,
Jesus Cristo lhe perguntou:
- António, p’ra onde vais?
- Senhor, eu vou ao céu.
- Ao céu não irás,
Na terra ficarás,
Quantos males houver, todos curarás,
Quantas coisas se perderem, a todas acharás,
Quantas missas se rezarem, a todas assistirás.
Milagroso padre Santo António,
Prende aquilo que eu perdi.

Bênção do pão
Cresça o pão no forno
E à debina graça por o mundo todo.
Um padre-nosso pelas almas.

Depois de amassar o pão, fazia-se uma cruz e dizia-se:
São Vicente t’acrescente,
Santa Marinha te traga depressinha.

Depois de meter o pão no forno, dizia-se:
Cresça o pão no forno e a graça de Deus por o mundo todo.
Ou
Cresça o pão no forno e as bentas ó carolo.

Para cortar o coixo
Coixo, coixinho, coixão,
Aranha, aranhão,
Sapo, sapão,
Bustigo, bustigão,
Sagarto, sagartão,
Bicho de toda a nação,
Eu te corto a cabeça e o rabo e coração.
Em loubor de Stª Maria,
Um Padre-Nosso c’um’Ave-Maria.

Eu te corto com a faca do meu pão,
Sapo sapão,
Aranha aranhão,
Cobra cobrão,
Todo o bicho qu’anda de rastos pelo chão.
Eu te corto o rabo e à cabeça e o coração,
Para que não cresças nem abeças,
Mas antes qu’apodreças,
Mirrado como um carbão.
Em loubor de São Cibrão
Qu’andes p’rá frente, p’ra diante não.
Dá-se uma volta à faca por trás e depois ó fim reza-se um Padre-Nosso a São Cibrão.

Eu te talho
Coxo, coixão,
Aranha, aranhão,
Bicho de toda a nação.
Em louvor de São Silvestre,
Quanto faça, tudo preste,
E de Nosso Senhor,
Que é verdadeiro mestre.
Em louvor de Deus e da Virgem Maria,
Um Padre-nosso c’uma Ave-Maria.

Cortar o bicho
Sapo, sapão,
Cobra, cobrão,
Lagarto, lagartão,
Todo o bicho da nação,
Todo o bicho que anda de rasto pelo chão.
Eu te talhe bem talhado bem recortado
P’ela cabeça e p’lo rabo,
Assim como era sagrado.
Um Pai-Nosso e uma Ave-Maria em louvor da Virgem Maria.
Diz-se três vezes.

Cortar o ar
Eu te corto, ar, pragas, encanhos, feitiços, feitiçarias, males olhados de todo o que eu
te possa fazer.
Deus te fez
E Deus te criou,
Deus te tire o mal
Qu’em ti entrou.
Ar de vivo,
Ar de morto,
Ar escumungado,
Sai deste corpo.
Quando Deus era nascido,
Este mal não era bisto.
Morra o mal todo,
Viva nosso Senhor Jesus Cristo.
Assim como o sol nasce na serra e se põe no mar,
Este mal donde beio parar, há-de tornar.
Um Pai-Nosso e uma Ave-Maria à Nossa Senhora em alíbio das almas do
pergatório.

Cortar as dadas
Home bom me deu pousada,
Mulher má me fez a cama
Debaixo d’áuga sobre palha e sobre lama.
Assim como é verdade, melhora-te mama.
Um Padre-Nosso c’uma Ave-Maria.

Braço aberto
Em louvor de São Fortoso,
Eu te coso.
Torna a carne ao seu exposto,
Se o deito com a linha torta.
Em louvor de São Fortoso,
Eu te coso.

Erguer a espinhela
Com a mão esquerda, segura-se o dedo polegar de uma das mãos do doente e, na parte
superior do pulso, deita-se algumas gotas de azeite.
Em seguida, faz-se deslizar o dedo polegar da mão direita sobre o azeite de forma a
que o dedo indicador acompanhe o movimento na parte de baixo do pulso, exercendo um
pouco de pressão nos dois dedos.
Enquanto executa este movimento, vai dizendo as seguintes palavras:
Tem-te espinhela, tem-te em ti,
Assim como Jesus se teve em si.
Continuando com o mesmo movimento, diz:
Tem-te espinhela, tem-te no braço,
Assim como Jesus se teve no passo.
Continua dizendo:
Tem-te espinhela, tem-te na veia,
Assim como Jesus se teve na ceia.
Em louvor de Deus e da Virgem Maria,
Pai-Nosso e Ave-Maria.
Nota: Repete-se no outro braço do doente e pode fazer-se três, seis e nove dias seguidos.

Chumbar ares
Eu te talho
Ar de vivo,
Ar de morto,
Ar de corruto,
O teu mal seja desfeito
Como o sal por o mar abaixo.
Diz-se nove ou três vezes. Deita-se o chumbo à água e faz figuras e depois torna-se a derreter
e diz-se estas palavras.

Cortar o ar
Acende uma velinha põe na fonte duma pessoa ou dum animal e diz-se nove vezes:
Deus te fez,
Deus te criou,
Deus te tire o mal qu’em ti entrou.
Reza-se um Pai-nosso e uma Ave-Maria em louvor da Virgem Maria.

Cortar a zipla
Pedro e Paulo foi a Roma,
Jesus Cristo encontrou:
- Pedro e Paulo, donde vens?
- Senhor, venho de Roma!
- E que viste por lá?
- Muita zipla e zipela
E muita gente morre d’ela.
- Pedro e Paulo vai atrás, vai curá-la!
- Com quê, Senhor?
-Com azeite virgem e folha de oliva.
Um Pai-Nosso e uma Ave-Maria
Em louvor da Virgem Maria.

Coser o pé
Eu te coso,
Carne aberta,
Fio torto.
Põe um panelo de água a ferver no chão, e põe o pé em cima dele e começa com uma agulha a
coser no nobelo.
Eu te coso,
Carne aberta,
Fio torto,
Por isso mesmo é que eu te coso.
Eu te coso,
Carne aberta,
Fio torto.
Depois, despejam a água dentro de uma bacia e põe o panelo em cima da água. E, se for o pé
aberto, a água entra toda para dentro do panelo, se for o pé fica lá.



Rezas, responsos e benzeduras

Práticas da beira-Paiva





Embora sem a importância e a prática de que gozaram no passado, ainda hoje se procuram aqueles que, quase sempre por via da tradição oral, aprenderam palavras mágicas e seculares que, aliadas à religião, à superstição e a certos rituais, se acredita serem capazes de aliviar ou resolver certos problemas, quase sempre ligados à doença ou ao espiritual.

São fórmulas muito simples e ingénuas que, proferidas com toda a convicção e acompanhadas de orações, ajudarão a consolidar um imaginário muito ligado ao sobrenatural e oferecem a solução mais primária para os males de quem nelas acredita.

Embora não sabendo ler nem escrever, havia quem decorasse longas rezas, quase sempre num português adulterado, que eram transmitidas através das gerações e retidas por alguns curiosos destas crenças e magias, que as usavam como pretexto para ajudar os outros.

Hoje, já muito poucos idosos conservam na memória estas fórmulas e poucos são também os que a elas recorrem. Todavia, elas fazem parte da espiritualidade, em práticas ancestrais da nossa gente.

Eis alguns exemplos dessas rezas, responsos e benzeduras e também de orações recitadas em momentos especiais:



Para a Ciática                                                          

Sai-te daqui, que fazes aqui,
que estás aqui a fazer?
Secaste-me a carne, rilhaste-me os ossos.
Para que não seque a carne
nem rilhes os ossos,
rosa florosa, que pelo mundo andas,
deste a minha mão à palma
para que com estas santas orações
sejas moída e derretida
como sal em água fria.
Em louvor de S. Gonçalo
esta (perna) sararia.

(Pai Nosso e Avé Maria)
(reza-se durante nove dias seguidos, ao pôr- do-sol)




Para a dada da mama
Bom homem me deu pousada
má mulher me fez a cama
sobre vides sobre lama
sai-te dada desta mama.
(reza-se 9 vezes fazendo cruzes com um pente sobre
a mama inchada e vermelha da mulher que amamenta)


Para a icterícia
Quando Jesus nasceu
No rio Jordão se meteu
Seus discípulos lhe pediram
Que os livrasse da tricha
Da lixa, da licança
Com o poder de Deus
Este servo (dizer o nome da pessoa) sararia.

(Pai Nosso e Avé Maria)












Para o aberto  
                                                                                                       
Eu coso em louvor de S. Frutoso
Se é nervo torto, torna ao teu posto
Se é carne quebrada, torna à tua casa
Em louvor da Virgem Maria

(Pai Nosso e Avé Maria)


Para o quebranto                                                                       
(dizer o nome da pessoa)
Cobranto te deu, cobranto te daria
Talho eu e a Virgem Maria
As pessoas da Santíssima Trindade querem e podem
Este mal donde veio para lá torne.

(Pai Nosso e Avé Maria)
(reza-se três vezes, enquanto se deitam brasas
acesas numa tigela com água. No fim, deita-se tudo num ribeiro.)


Para o unheiro ou terçogo

Se é unheiro eu te talho e retalho
em louvor de Nossa Senhora do Rosário
assim como a Nossa Senhora foi Virgem
no parto e depois do parto. Amem.

(Pai Nosso e Avé Maria)
( três vezes)


Responso

(Pedindo protecção para uma pessoa)
(Diz-se o nome da pessoa) fora da tua casa andas,
Deus ande na tua companhia.
Nosso Senhor que é teu pai, Nossa Senhora tua mãe,
com as armas de Cristo andes armado,
com as de S. Pedro bem guardado,
para que não sejas preso nem morto
nem ferido nem maltratado
nem nas ondas do mar afogado
nem teu sangue corrompido
nem a tua alma caia em pecado,
justo juízo final.
Filho da Virgem Maria,
no Campo de Jurafia foste jurado,
pede por ele (dizer o nome da pessoa).
Assim disse Jesus pelos seus discípulos
e assim Ele diga por nós. Amem.
Temos olhos e não nos vimos,
temos pernas e não nos alcançaremos,
para que ninguém se possa rir
nem vingar de nós. Amem.



Oração da trovoada                                                           
Santa Bárbora se vestiu e calçou
seu caminho andou
Nosso Senhor encontrou
- Onde vais, Bárbora?
- Vou abrandar a trovoada
que no monte anda armada.
- Vai, vai, Barborinha, vai,
leva-a a monte maninho
onde não haja pão nem vinho
nem bafinho de menino
nem gente de cristandade.
Valha-nos o verbo divino
e as três pessoas da Santíssima Trindade.
(reza-se enquanto ardem na lareira algumas
hastes de ramos benzidos no Domingo de Ramos)



Oração do pesadelo
São Bartolomeu me disse
que dormisse e descansasse
que nenhum medo tomasse
nem à anda nem à varanda
nem ao pesadelo da mão furada.
Quatro cantos tem a casa,
quatro anjos a guardá-la:
S.Lucas, S. Mateus, S. Pedro e S. Tiago.
Entrego-me a Deus
e arrenego o diabo.

Responso a Santo António                                           
Milagroso Santo António
em Lisboa fostes armado
em França fostes visitado
em Roma condecorado
à porta de Santa Paulina
todos os peixes do mar se levantaram
para ouvir a sua santa pregação.
Santo António se deitou
Santo António se levantou
Santo António se lavou
e ao seu lencinho se limpou:
-António, aonde vais?
- Senhora- ele respondeu!
- Não irás, que eu ao Céu subirei
e tu na terra ficarás
com teu hábito que vestiste.
Assim como livraste teu pai
de sete sentenças falsas
assim nos livres a nós
de todos os males.

(Pai Nosso e Ave Maria)
















Responso

(Pedindo protecção para o gado)                                              
Guarda o meu gado
bem guardadinho
que eu corto-te o rabo
com o dedo mindinho.
( dizia-se e fazia-se no monte aos gatafanhos pequeninos).


Oração ao levantar

Padre Nosso Pequenino
Padre Nosso pequenino
Quando Deus era menino
Quem o deu, quem o daria
Foi o Filho da Virgem Maria.
Cruz no monte, Cruz na fonte,
Todos os santos se encontrem,
Quer de noite quer de dia,
Quer à hora do meio-dia.
Já os galos cantam,
Já os anjinhos se levantam,
Já o Senhor vai para a Cruz
Para a minha alma ver a luz
Para sempre Amem Jesus.





Oração ao deitar      
                                                                                   
Nesta caminha me deitei
Sete anjinhos encontrei
Três aos pés, quatro à cabeceira,
Nossa Senhora na dianteira.
Nossa Senhora me disse
( dizer o próprio nome) dorme e repousa,
Não tenhas medo a má cousa,
Bendito sejam as almas
Que se deitam nesta hora.

(Pai Nosso)




Ao lavar a cara pela manhã

Minhas mãos molho,
meu rosto lavo,
entrego-me à Virgem
e arrenego o diabo.

(Pai Nosso e Ave Maria )
Aurora Simões de Matos - in "Imagens da beira-Paiva"
Nota: textos com regionalismos.


quinta-feira, 11 de outubro de 2012

História para 11.10.2012

O BOI MANSO
O boi regressava do trabalho, ao entardecer. Vinha muito
cansado. Por caminhos torcidos e pedregosos puxara, o dia
todo, um carro de bois, que, bem vistas as coisas, devia
antes chamar-se carro de boi, porque ele, sozinho, fazia as
vezes de uma junta de bois, dos mais possantes.
Estava mesmo exausto. A caminho do estábulo, já
apaladava, na imaginação, a saborosa ceia de feno, que o
aguardava na manjedoira. Merecida.
Entrou no estábulo e o que viu? O cão da quinta,
deitado no fofo do feno.
– Tenha muito boas noites – disse o boi, que era muito
manso e bem-educado. – Podia fazer o favor de sair de
cima da minha manjedoira?
– Não. Não - ladrou o cão.
O boi, cheio de paciência, insistiu:
– Estou com muita fome, mas prometo-lhe que, depois
de comer, ainda lhe deixo feno suficiente para a sua cama.
Agora, agradeço-lhe que me desampare a manjedoira.
– Não. Não - ladrou o cão.
– Admito que esteja a incomodá-lo, mas será por pouco
tempo. Com a fome que trago, garanto-lhe que como o
feno num instante. Podia afastar-se por um bocadinho?
– Não. Não - ladrou o cão.
– Eu entenderia a sua má disposição se o soubesse
apreciador de feno. Mas se para si não serve, senão como
cama, porque me proíbe de comer? Ou quer provar
também do meu jantar?
– Não. Não – ladrou o cão.
Era malhar em ferro frio. O cão não saía da sua, não se
convencia com boas palavras. Que outros argumentos
podia o boi utilizar?
Vamos lá ver. Só há duas saídas para esta história.
Numa, o boi manso desiste da ceia e passa a noite roído
de fome. No dia seguinte, voltará a trabalhar, em estado de
fraqueza e tão debilitado que não conseguirá puxar o carro,
como o dono lhe exige. Um boi sem préstimo é um boi
condenado ao matadouro. Um triste fim, portanto.
Noutra hipótese, o boi manso lembra-se de que tem em
comum com os bois bravos os chifres pontiagudos, que
servem de defesa e de ataque. Uma marrada de boi é um
caso sério.
Qual dos dois fins vamos escolher?
Tu é que decides. Tu é que mandas.
Já decidiste?
Pois foi assim mesmo, tal como determinaste. Uma
resolução muito acertada.
Contar mais, para quê? O que se passou dentro do
estábulo nem se descreve. Tudo muito rápido.
Está, agora, um cão a ganir às estrelas:
– Caim! Caim! Boi ruim! Caim! Caim!
Porque será?

FIM

Receitas para 5a feira 11.10.2012

5ª Feira - 11 de Outubro
 
 
 
Sopa de Couves e Nabos à Portuguesa
Ingredientes:
  • 1 couve lombarda pequena ou metade de 1 grande;
  • 2 nabos;
  • 1 cebola média;
  • 4 batatas;
  • 1,5 litros de água;
  • 1 osso de presunto ou 50 g de chouriço;
  • 1/2 dl de azeite;
  • sal;
  • fatias de pão.
Confecção:

Tire o talo mais grosso à couve lombarda e corte-a aos quartos.
Corte os nabos, a cebola e as batatas também aos quartos.
Leve uma panela com água ao lume e quando ferver junte-lhe os legumes, o osso de presunto ou chouriço, o azeite e um pouco de sal.
Tape a panela e deixe cozer até os legumes estarem macios.
Retire o osso de presunto, tire a carne que tiver agarrada e desfie-a.
No caso de usar chouriço corte-o em bocadinhos.
Coloque fatias de pão no fundo de uma terrina, espalhe por cima os fios de presunto (ou bocadinhos de chouriço) e regue com o caldo e os legumes.

*Se quiser pode juntar a esta sopa uma fatia de abóbora cortada aos quadradinhos.


Bons Bocados de Peixe com Pimentos

Ingredientes:
Para 2-4 pessoas
  • 450 g de bacalhau ou outro peixe branco e firme
  • 1 1/2 colher de chá de cominhos em pó
  • 1 colher de chá de grãos de coentros em pó
  • 1/2 colher de chá de piripiri em pó
  • 1 colher de chá de sal
  • 1 colher de chá de gengibre ralado
  • 3 colheres de sopa de maizena
  • 1,5 dl de óleo de milho
  • 3 pimentos de cores sem sementes em bocadinhos
  • 8-10 tomates cereja
Confecção:
Retire a pele ao peixe e corte-o em cubos pequenos.
Deite-o numa tigela e polvilhe com os cominhos, os coentros, o piripiri, sal, o gengibre e a maizena.
Mexa com as mãos ou duas colheres.
Aqueça o óleo num wok ou numa frigideira.
Reduza o calor e introduza o peixe, 3-4 cubos de cada vez.
Deixe fritar 3 minutos, mexendo sempre.
Escorra o peixe sobre papel absorvente e coloque no prato de serviço enquanto cozinha os restantes.
Introduza os pimentos no óleo e frite  minutos.
Quando estiverem estaladiços, retire-os e ponha-os sobre papel absorvente.
Deite os pimentos sobre os cubos de peixe e enfeite com os tomates cereja.




Pernas de Frango
com Molho Aveludado de Natas
Ingredientes:
Para 4 pessoas
 
  • 5 dl de Natas para Culinária Parmalat
  • 2 frangos de 1 kg cada
  • 400 grs. de rebentos de soja
  • sumo de 1 limão
  • 2 chalotas picadas
  • salsa
  • cerefólio q.b.
  • 100 grs. de manteiga
  • 1 dl de uísque
  • 2 dl de vinho branco
  • 2 dl de caldo de aves
  • sal q.b.
  • pimenta branca moída na altura q.b.
Confecção:
Cortar cada frango em 4 pedaços, 2 asas e 2 pernas.
Desossar todos os pedaços, deixando apenas a carne, a pele e 1 lasca do osso.
Envolver a carne na pele e abrir um pequeno orifício na pele para introduzir o osso que vai fechar a bolsa.
Alourar as bolsas com as chalotas e a salsa.
Deixar refogar durante 5 minutos.
Regar com uísque e reduzir.
Adicionar o vinho branco e tornar a reduzir, depois juntar o caldo de aves e deixar cozinhar.
Retirar as bolsas e conservá-las quentes.
Reduzir o restante e adicionar
as Natas para Culinária Parmalat,
Tornar a reduzir e quando ficar com uma consistência cremosa, temperar.
Adicionar manteiga, passar por um coador fino.
Escaldar os rebentos de soja no sumo de limão e depois alourar na manteiga.
Colocar os rebentos e uma bolsa de frango no prato e regar com molho.
Decorar com cerefólio.

 Camarões panados com molho agridoce
Camarões panados com molho agridoce

Tipo de receita: Entrada
Número de doses: 4
Tempo de Preparação: 40 Minuto(s)
Tempo de Confecção/Cozedura: 20 Minuto(s)
Dificuldade: Muito Fácil


Ingredientes:

Esta receita retirei-a de uma revista pela qual me apaixonei, chama-se Delícias da culinária, trás mais de 230 receitinhas com foto, é barata e as receitas são fantásticas!!
Já há algum tempo que andava à procura de uma receita de molho agridoce, como o que podemos saborear nos restaurantes chineses e japoneses e que eu simplesmente adoro!! Experimentei comprar uns que se vêm à venda no Continente e no Lidl e, tanto um como o outro, me desiludiram bastante pois, realmente, não têm nada a ver com o original!! Quando vi esta receitinha, claro, tive logo de experimentar eh eh!! Maravilha!! Adorei!! O molho não é 100% igual, mas anda lá bem perto, muito bom mesmo!!
Então, aqui fica a receitinha:

Ingredientes:

20 camarões médios sem casca e sem cabeças, deixe o rabo (usei camarão congelado 20/40)
1 colher (chá) de bicabornato de sódio para uso culinário ( usei sal grosso)
1 chávena (chá) de farinha de trigo
1 chávena (chá) de água
1/2 colher (chá) de sal
2 colheres (chá) de fermento em pó
Óleo para fritar

Molho:

1 colher (sopa) de óleo
2 colheres (sopa) de ketchup
1 colher (chá) de polpa de tomate
1 e 1/2 chávena ( chá) de água
1 colher (sopa) de molho de soja
3 colheres (sopa) de vinagre
Sal a gosto
2 colheres (sopa) de açúcar
1 e 1/2 colheres (sopa) de farinha maizena
 

Salada crocante

Salada Crocante

Tipo de receita: Entrada
Número de doses: 2
Tempo de Preparação: 15 Minuto(s)
Tempo de Confecção/Cozedura: 0 Minuto(s)
Dificuldade: Muito Fácil


Ingredientes:

Material: faca, cortador de verduras, vasilha para misturar, colher.

Ingredientes: abóbora verde, trigo germinado, brócolis, azeite, limão, sal e damasco seco.
Preparação:

Preparo: pique a abóbora em “Julienne”; pique o brócolis e o damasco em tamanhos pequenos. Coloque todos os ingredientes em uma vasilha adicione azeite, sal e gotas de limão. Mexa bem.



Obs. As verduras frescas são muito crocantes e o damasco deixa tudo muito gostoso.


Bavaroise de Noz com Molho de Chocolate

 
Ingredientes:
  • 4 dl de Natas para Bater Parmalat
  • 2 chávenas de chá de nozes moídas
  • 250 g de açúcar
  • 6 folhas de gelatina incolor
  • 6 ovos
  • 8 dl de leite gordo
  • molho de chocolate q.b.
  • óleo de amêndoas doces q.b.
Confecção:
Bata as gemas com o açúcar até obter uma mistura clara e espumosa.
Junte as nozes e leve ao lume com o leite até engrossar sem ferver.
Acrescente a gelatina, previamente demolhada num pouco de água fria e escorrida, e, em morno, adicione as Natas para Bater Parmalat e, se pretender uma bavaroise maior, pode juntar ainda 3 claras batidas em castelo com 1 colher de sopa de açúcar em pó.
Deite o preparado numa forma untada com óleo de amêndoa doce e leve ao frigorífico até estar solidificada.
Desenforme e sirva com o molho de chocolate.


Torta gelada de abacaxi

Torta gelada de abacaxi

Tipo de receita: Sobremesa
Número de doses: 8
Tempo de Preparação: 15 Minuto(s)
Tempo de Confecção/Cozedura: 30 Minuto(s)
Dificuldade: Fácil


Ingredientes:

Massa:
2 xícaras de açúcar
2 xícaras de trigo
4 ovos
8 colheres de água
raspas de limão

Recheio:
1 lata de leite condensado
1 lata de leite
2 ovos
1 colher de sopa de maisena
2 colheres de chá de essência de abacaxi
1 abacaxi cozido com bastante calda
1 lata de creme de leite