Freguesia de Meijinhos, Pertence ao Conselho de Lamego e Distrito de Viseu, com 2,74 km² de área e cerca de 115 habitantes Densidade: 38,0 hab/km². Distaciada a cerca de dez quilómetros de Lamego.É uma aldeia muito antiga, e referenciada nas Inquirições de D. Afonso III em 1258 como reguengo. Em Fevereiro,grande Festa de convivio. Festa em Honra do S.Brás, onde se tem sempre boa musica e porco assado para todos.VISITE.
terça-feira, 26 de abril de 2011
Noticia antiga de Meijinhos
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Pais de alunos de Meijinhos, Lamego, estão a tentar provar que trabalham a maior parte do tempo em Lazarim para aí poderem colocar os seus filhos na escola, depois de avisados das consequências de não os levarem às aulas. Quatro meninos de Meijinhos ainda não foram este ano lectivo às aulas, porque os pais pretendem a sua transferência da escola do 1º ciclo do ensino básico da Galvã (freguesia de Cepões) para a de Lazarim. Joaquim Carvalho, tesoureiro da Junta de Freguesia de Meijinhos, que tem acompanhado de perto a situação, contou à Agência Lusa que "tem havido reuniões com os serviços da Câmara para tentar resolver imediatamente a situação", até porque os pais já foram alertados pela GNR e pela Comissão de Protecção de Menores das consequências que podem advir de impedirem os filhos de ir à escola. "A Comissão de Protecção de Menores deu oito dias aos pais para resolverem o problema, senão mete-lhes um processo em cima porque estão a proibir os filhos de ir à escola", contou. Os pais também já receberam a visita da GNR, que "disse que ficaria à espera a ver se tudo se resolve, senão teria de informar o Ministério Público", acrescentou. Os pais e a Junta de Freguesia de Meijinhos começaram a pedir em Julho a transferência das crianças para Lazarim, usando como principais argumentos as dificuldades de adaptação à escola da Galvã e o facto de a escola de Lazarim ter melhores condições, tendo o conselho executivo do agrupamento de escolas da Sé de Lamego indeferido o pedido. Nesse âmbito, em Agosto, os pais enviaram um abaixo-assinado à directora regional de Educação do Norte, onde usavam também outros argumentos, como a maior afinidade cultural entre Meijinhos e Lazarim e o facto de o trabalho dos encarregados de educação ser durante a maior parte do ano nesta freguesia. "É isso que agora os pais estão a tentar provar, mas estão a exigir a apresentação do contratos de trabalho", contou Joaquim Carvalho. No início do ano lectivo, eram cinco as crianças nesta situação, mas o pai de uma delas acabou por pedir a transferência para Arneirós, com o argumento de aí trabalhar, não lhe tendo sido colocados entraves. Contactado pela Lusa, João Aguiar, da Federação Regional de Associações de Pais de Viseu, lamentou que "o agrupamento esteja a pedir coisas incríveis aos pais para comprovarem o local de trabalho, como cópias dos contratos de trabalho e até da declaração do IRS", quando, "numa situação normal, bastaria uma declaração da Junta de Freguesia de Lazarim". "No caso do pai que pediu a transferência para Arneiros deram autorização e tratava-se de outro agrupamento. Neste caso, que até é para uma escola do mesmo agrupamento, com o mesmo projecto educativo, estão a ser postos imensos entraves", frisou. João Aguiar criticou ainda o facto de a Direcção Regional de Educação do Norte não ter dado resposta aos pais, anunciando que a Federação vai pedir a intervenção da ministra da Educação "como mediadora neste processo, para resolver este impasse e as crianças serem colocadas em primeiro lugar". A Lusa tentou obter, sem sucesso, um comentário do presidente do Agrupamento de Escolas da Sé e da DREN.
Lamego: GNR notifica pais para levar filhos à escola
Crianças de Meijinhos ainda não foram àsaulas. Pais podem perder a custódia dos menores
Os pais não aceitam uma escola e exigem outra para os filhos. Os responsáveis não cedem. E o impasse nunca mais acaba. Entretanto, sofrem as crianças, que este ano ainda não foram às aulas. Já lá vai mais de um mês.Quatro crianças da aldeia de Meijinhos, Lamego, ainda não foram às aulas este ano lectivo. Já lá vai mais de um mês. Os pais recusam-se a deixá-las ir para a escola do primeiro ciclo da Galvã, que frequentaram o ano passado, mas onde tiveram problemas de integração e assistiram a um caso de agressão física em pleno recreio escolar, perpetrado por um estanho. Em vez da Galvã, querem os filhos a estudar na escola de Lazarim.A posição de intransigência dos encarregados de educação, já levou a que a GNR os notificasse. Ontem, foi a vez da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Lamego intervir, para evitar que o caso não chegue ao Tribunal de Menores. No limite, os pais podem perder a custódia dos filhos."Só se formos obrigados é que os deixamos ir para Galvã", desabafa Samuel Fernandes, pai de duas meninas gémeas, de nove anos, matriculadas no 4º ano de escolaridade, que atiras as culpas contra a direcção do Agrupamento Vertical de Escolas da Sé, em Lamego. "Pedimos a transferência das quatro crianças para Lazarim, mas a pretensão foi-nos indeferida. Recorremos da decisão e ainda estamos à espera da resposta", revela.Entretanto, a situação já foi levada também ao conhecimento do governador civil de Viseu e da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN). Os pais ponderam ainda escrever uma carta à própria ministra da Educação e deslocar-se ao Porto, para falar directamente com a directora regional de Educação, que em Agosto, já recebeu um abaixo-assinado subscrito pela população de Meijinhos.No documento, os pais argumentam que "a escola de Lazarim não se encontra sobrelotada, podendo, por isso, albergar estes alunos". E que esta pertence ao "mesmo agrupamento, pelo que os alunos mantêm o mesmo projecto educativo" e também que "oferece melhores condições físicas para o acolhimento" dos seus filhos.Alegam ainda que "existe uma enorme afinidade cultural entre as duas freguesias (Meijinhos e Lazarim), não se verificando o mesmo entre a de Cepões", sede de freguesia da aldeia da Galvã.No abaixo assinado, fazem também referência à "proximidade geográfica", sustentando que "a freguesia de Meijinhos confina com a de Lazarim, sendo difícil de perceber onde começa uma e acaba a outra"."Não queremos os nossos filhos na escola da Galvã. Eles não se deram lá bem o ano passado. Até uma das nossas crianças foi agredida por um adulto que entrou para o recreio", lembra Samuel Fernandes.O Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC) considera a situação "deplorável". Francisco Almeida, da direcção em Viseu daquela estrutura sindical, explica que o que acontece em Meijinhos "é o resultado da política de encerramento de escolas, feita de forma cega pelo Ministério da Educação. A ministra devia saber deste caso, e reflectir, olhar para trás e arrepiar caminho".A escola do primeiro ciclo de Meijinhos encerrou há sete anos, por insuficiência do número de alunos.
Primeiro Rei de Portugal por Lamego

segunda-feira, 25 de abril de 2011
Bandeira Nacional e Hino Nacional

Autores da Bandeira:
Columbano, João Chagas, Abel Botelho
Significado dos símbolos e cores:
As 5 quinas simbolizam os 5 reis mouros que D. Afonso Henriques venceu na batalha de Ourique. Os pontos dentro das quinas representam as 5 chagas de Cristo.Diz-se que na batalha de Ourique, Jesus Cristo crucificado apareceu a D. Afonso Henriques, e disse: ``Com este sinal, vencerás!''. Contando as chagas e duplicando por dois as chagas da quina do meio, perfaz-se a soma de 30, representando os 30 dinheiros que Judas recebeu por ter traído Cristo. Os 7 castelos simbolizam as localidades fortificadas que D. Afonso Henriques conquistou aos Mouros. A esfera armilar simboliza o mundo que os navegadores portugueses descobriram nos séculos XV e XVI e os povos com quem trocaram ideias e comércio. O verde simboliza a esperança. O vermelho simboliza a coragem e o sangue dos Portugueses mortos em combate.
Hino Nacional Português
Nome:"A Portuguesa"Música:Alfredo KeilLetra: Henrique Lopes de Mendonça.
Heróis do mar,nobre povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!
Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!
Desfralda a invicta Bandeira,
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu
Beija o solo teu jucundo
O Oceano, a rugir d'amor,
E teu braço vencedor
Deu mundos novos ao Mundo!
Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!
Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal do ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.
Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!
25 de Abril de 1974

Os militares golpistas, auto denominados Movimento das Forças Armadas – MFA – são comandados, secretamente, a partir do Quartel da Pontinha, em Lisboa, por Otelo Saraiva de Carvalho, um dos principais impulsionadores da acção.
A par das movimentações em Lisboa, também no Porto os militares tomam posições. São ocupados o Quartel-General da Região Militar do Porto, o Aeroporto de Pedras Rubras e as instalações da RTP na cidade invicta.Aos homens da Escola Prática de Cavalaria de Santarém, comandados por Salgueiro Maia, coube o papel mais importante: a ocupação do Terreiro do Paço e dos ministérios ali instalados. A coluna de blindados vindos da cidade ribatejana chega a Lisboa ainda o dia não tinha despontado, ocupa posições frente ao Tejo e controla, sem problemas aquela importante zona da capital.
Mais tarde Salgueiro Maia desloca parte das suas tropas para o Quartel do Carmo onde está o chefe do governo, Marcelo Caetano, que acaba por se render no final do dia com apenas uma exigência: entregar as responsabilidades de governação ao General António Spínola, oficial que não pertencia ao MFA, para que “o poder não caía nas ruas”. O Presidente do Conselho, que anos antes tinha sucedido a Salazar no poder, é transportado para a Madeira e daí enviado para o exílio no Brasil.
Ao longo do dia os revoltosos foram tomando outros objectivos militares e civis e, pese embora tenham existido algumas situações tensas entre as forças fiéis ao regime e as tropas que desencadearam o golpe, a verdade é que não houve notícia de qualquer confronto armado nas ruas de Lisboa.
O único derramamento de sangue teve lugar à porta das instalações da PIDE (Polícia de Investigação e Defesa do Estado) onde um grupo de cidadãos se manifestava contra os abusos daquela organização e alguns dos agentes que se encontravam no interior abriram fogo, atingindo mortalmente 4 populares.Por detrás dos acontecimentos daquele dia 25 de Abril estão mais de 40 anos de um regime autoritário, que governava em ditadura e fazia uso de todos os meios ao seu alcance para reprimir as tentativas de transição para um estado de direito democrático.
A censura, a PIDE e a Legião e a Mocidade Portuguesas são alguns exemplos do que os cidadãos tinham de enfrentar no seu dia-a-dia. Por outro lado, a pobreza, a fome e a falta de oportunidades para um futuro melhor, frutos do isolamento a que o país estava votado há décadas, provocaram um fluxo de emigração que agravava, cada vez mais, as fracas condições da economia nacional.
Mas a gota de água que terá despoletado a acção revolucionária dos militares que, durante tantos anos tinham apoiado e ajudado a manter o regime, foi a guerra colonial em África. Com 3 frentes abertas em outros tantos países, Angola, Moçambique e Guiné-Bissau, os militares portugueses, passada mais de uma década, começavam a olhar para o conflito como uma causa perdida.
Internacionalmente o país era pressionado para acabar com a guerra e permitir a auto-determinação das populações das colónias. A falta de armas nas forças portuguesas era proporcional ao aumento de meios dos movimentos independentistas. Os soldados portugueses morriam às centenas a milhares de quilómetros de casa.
Todos estes factores contribuíram para um descontentamento crescente entre as forças armadas, sobretudo entre os oficiais de patentes inferiores, o que levou à organização e concretização de um golpe militar contra o regime do Estado Novo.
25 de Abril de 1974 ficará, para sempre, na história como o dia em que Portugal deu os seus primeiros passos em direcção à democracia.
sábado, 23 de abril de 2011
sexta-feira, 22 de abril de 2011
Páscoa em Meijinhos


Hoje é sexta feira santa, dia de preparação da Páscoa.
Para além de se não poder comer carne, quase todos fazem o bolo podre, as bolas de bacalhau,sardinha, enchidos ou de carne de vinha-dalhos,quase todos fazem hoje porque não se trabalha.
Começam a chegar os familiares de Lisboa e porto, onde estão a viver a maior parte das pessoas de Meijinhos, para além dos que estão Emigrados na Suiça que é o meu caso.
Mas nós por motivos de distância e de trabalho nem sempre é possivél ir passar a Páscoa à nossa querida terra com os nossos queridos familiares ( que saudades ).
Então começam as limpezas e a decoração das casas que estão fechadas e em todas em geral e nas ruas também, para que Domingo ao fim da Santa Missa, o senhora vá visitar as casas de todos os habitantes de Meijinhos.
Visita Pascal: é o Senhor Padre, o Sacristão com a Cruz, o do rol para o Senhor Padre, o da campainha e o da água Benta.
Fim da Santa Missa, começam os sinos a tocar, os foguetes a rebentarem, sinal que o Senhor já anda fora na visita Pascal.
Vem aí o Senhor, todos os da família reunidos em volta da mesa, esta bem recheada de doçarias e bebidas e claro os envelopes para o Senhor Padre e para o Sacristão.
O Senhor Padre, começa por benzer a casa e a familia, enquanto o Sacristão dá o Senhor a beijar, do chefe de família ao membro mais novo da família.
Depois de desejar uma feliz Páscoa e uma curta conversa do Senhor Padre, petisca-se alguma coisa e bebe-se um pouquinho porque o dia é longo e cheio de coisas boas, onde todos querem que se petisque, o Senhor Padre despede-se com a promessa de voltar no próximo ano com o Senhor de novo, e parte de seguida para a próxima casa enquanto os sinos tocam e os foguetes a rebentarem.
Grande dia de festa, com a famílias todas reunidas, lindo, muito lindo.
É tempo do almoço, o cabrito,l eitão, borrego, frango ou outras carnes assadas no forno a lenha como manda a tradição, (umm que delicia ).
Continua a festa com o tradicional toque dos sinos enquanto o Senhor andar fora, cada um vai dar o seu concerto de música nos sinos da torre da Igreja paroquial de Meijinhos, hoje Monumento Nacional, isto alonga-se por a tarde toda, e assim se festeja a Páscoa em Meijinhos.
Chega a noite, tempo das famílias regressarem para a sua região onde vivem, Lisboa e porto, onde levam consigo as iguarias da nossa região, como por exemplo, bolo podre, biscoito da Teixeira, bolinhas de Lamego, vinho da casa, fumeiros e não podendo esquecer o tão conhecido e gostoso presunto, levando tudo isto para os próximos dias ainda poderem saborear das coisas boas da terra.
Dia seguinte, volta tudo ao normal, tratando das beçadas e das sementeiras, para que tenham o sustento da família para todo o ano.
Por tudo isto, estão todos convidados a visitar Meijinhos, uma Freguesia muito pequena, mas cheia de beleza e de tradições e onde todos gostam de voltar sempre que podem.
Resta-me desejar a todos uma Feliz e santa Páscoa para todos com um grande abraço cheio de saúdades das nossas gentes e da nossa terra, saude para todos.
João
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Receitas da Freguesia de Meijinhos
BOLO PODRE DE MEIJINHOS
Caldo de Castanhas
Ingredientes: água, castanhas picadas, sal.
Preparação: demolham-se as castanhas. No dia seguinte lavam-se e cozem-se em água temperada com sal. Deixam-se cozer devidamente.
Caldo de Farinha
Ingredientes: água,
nabiças, farinha, azeite, alho e sal.
Preparação: cozem-se as nabiças em bastante água temperada com sal, juntando um nabo. Quando estiverem cozidas, adiciona-se-lhes a farinha, um fio de azeite e alho. Deixa-se ferver e serve-se.
Sopa de Feijão
Põe-se o feijão a cozer já demolhado, com o osso da suâ, quando o feijão estiver cozido, retira-se e guarda-se na mesma água.
Deita-se batatas cortadas em pedaços pequenos, cenouras, deixa-se cozer e passa-se tudo, corta-se a couve troncha e junta-se as batatas, quando já estiverem quase cozidas.Deita-se o feijão cozido e tempera-se com sal e azeite e serve-se bem quente.
Roupa Velha
Roupa velha à moda de Meijinhos
As batatas, os ovos, as couves e o bacalháu, que sobrou da noite de Consoada.
Corta-se tudo em bocadinhos pequenos, põe-se numa frigideira com azeite e alho e deita-se os restos, corta-se pão de milho em bocadinhos pequenos e mistura-se tudo muito bem, deixa-se alourar tudo e por fim, mistura-se os ovos, polvilha-se com salsa picada, serve-se numa travessa.
Torresmos
Ingredientes: Carne de porco,
vinho branco, vinagre, limão, batatas, sal e pimenta.
Preparação: corta-se a carne de porco em pedaços médios que se deitam num pote. Regam-se com vinho branco, vinagre e limão. Temperam-se com sal e pimenta. Deixam-se cozinhar.Acompanham-se com batatas cozidas e salada de alface.
Milhos
Ingredientes:
milho traçado, fumeiro caseiro, toucinho entremeado, costelas de porco, couve troncha, cebola, azeite e sal.
Preparação: faz-se um refogado com a cebola, o azeite e a carne partida aos bocados. Adiciona-se água suficiente e quando ferver, juntam-se os milhos. Quando estiverem quase cozidos, acrescenta-se a couve.
Pratos de Peixe
Batatas Esmagadas
Ingredientes: Batatas, água, 1 cebola, pão, 2 postas de
bacalhau e sal.
Preparação: cozem-se as batatas em água temperada com sal. Depois de cozidas, escoa-se a água e esmagam-se. Acrescenta-se o pão partido aos bocados.À parte, faz-se um refogado com a cebola, o bacalhau partido em bocados grandes e quando alourar a cebola, mistura-se tudo, deixando levantar fervura.Nota: Este prato é característico das sementeiras.
Trutas com Presunto
Ingredientes: Trutas, fatias de presunto,
óleo ou azeite, alho picado, salsa, louro, sal e vinagre.
Preparação: Lavam-se e amanham-se as trutas, deixando-se algum tempo em repouso, temperadas com sal. Fritam-se numa mistura de óleo e azeite à medida que vão ficando prontas, vão-se colocando às camadas numa travessa, separadas com fatias de presunto, alho picado, salsa e louro.Ao molho que ficou na frigideira, adiciona-se o vinagre e com este molho regam-se as trutas.
Jaquinzinhos Fritos
Ingredientes:
Carapáuzinhos frescos, óleo, leite, farinha, limão, e sal.
Preparação: Depois de lavados e amanhados os peixes demolham-se em leite, retiram-se e escorrem-se passando-os por farinha.Fritam-se até ficarem dourados e a crepitar. Escorrem-se do óleo e servem-se com rodelas de limão.
Bolas
Bola de Carne (com
ovos e leite)
Ingredientes: 0,5 kg de farinha, 3 ovos, 50 g
fermento de padeiro, 0, 5 dl de leite, azeite fervente - metade da quantidade de leite.
Preparação: Faz-se uma cova no meio da farinha onde se verte o azeite, mexendo-se com o garfo. Mistura-se o leite morno e os ovos e amassa-se bem, despegando-se a massa das bordas do alguidar, com farinha.Deixa-se levedar durante 2 horas. Espalha-se metade da massa num tabuleiro untado com manteiga. Colocam-se pedaços de carne e tapa-se com a outra metade da massa, virando-se as dobras. Vai ao forno a cozer.
Bola de Presunto
Ingredientes: 400 g de massa de farinha de trigo, 100 g de banha de porco, 50 g de fermento, Sal adequado (a gosto).
Preparação: Misturar os ingredientes, atrás citados, juntar-lhes água, e amassar tudo. Estenda-se a massa de forma a constituir duas camadas distintas e separadas as quais levarão, no meio, o recheio do presunto.A toda a volta da bola, e com ajuda dos dedos, fazer uma dobra que funciona como fecho.Nota: Antes da bola entrar no forno, e com a ajuda de um garfo, deve picar-se a bola, em vários sítios e pincelá-las com uma camada de banha de porco.
Bola de Sardinha
Ingredientes: 1 kg de massa de pão, 12 ovos, 2,5 dl de azeite, 12 sardinhas, 2 cebolas grandes, sal e farinha.
Preparação: Misturam-se os ovos, o sal e o azeite com a massa, ligando-se tudo muito bem de modo a formar uma mistura homogénea e fluída. De seguida, vai-se acrescentando farinha pouco a pouco, e amassa-se até a massa ficar enxuta. Divide-se a massa em duas partes, à mão, formando um rectângulo e unta-se o tabuleiro com azeite.Numa frigideira com bastante azeite, loura-se a cebola cortada às rodelas; adicionam-se-lhes as sardinhas limpas e sem cabeças. Dispõem-se as sardinhas sobre a massa do tabuleiro; sobre elas espalham-se as rodelas de cebola e o azeite, tapam-se com a massa restante, dobrando-se sobre ela, as bordas da primeira camada de massa. Deixa-se repousar 2 horas e vai ao forno.
Sobremesas
Aletria
Ingredientes: 125 g de aletria, 250 g de açúcar, 4
gemas de ovos, limão, canela em pau e em pó.
Preparação: Coze-se a aletria e escoa-se. Coloca-se o açúcar e um pouco de água ao lume com um pau de canela e casca de limão, até ficar em ponto de pérola. Adiciona-se aletria e deixa-se ferver. Depois de arrefecer, juntam-se-lhe as gemas batidas, levando-se de novo ao lume. Retira-se à primeira fervura, deita-se numa travessa e decora-se com canela em pó.
Fatias Douradas de Pão Duro
Deita-se meio litro de leite, 3 ovos e bata-se tudo.
Corta-se o pão duro em fatias, passa-se na mistura do leito com ovos, e frita-se em oleo numa frigideira.Vão se virando para alourarem dos dois lados, retiram-se para cima de um papel de cozinha para absorver o exesso de oleo.Colocam-se numa travessa e pulvilham-se com canela
Bolo Podre
Ingredientes: 1 kg de farinha, 0,5 Litro de azeite, 6 ovos, 25 g de fermento de padeiro, uma pitada de sal.
Preparação: Deita-se a farinha num alguidar e faz-se uma cova no meio. Acrescenta-se o fermento com o sal e um pouco de água quente. Mexe-se até o fermento se desfazer e em seguida juntam-se os restantes ingredientes amassando-se com as mãos até fazer bolhas (durante 20 minutos). Polvilha-se com farinha e deixa-se levedar durante 2 horas. Estendem-se os pães e levam-se ao forno.
. Fumeiros
Chouriças de colada (moiras)
No dia da desmancha do porco, todas as carnes com sangue e aparas, são cortadas muito miudinhas, depois faz-se o mesmo com cebola, alho, loureiro e sal, mistura-se tudo bem misturado e vai se juntar ao vinho guardado.
Acrescenta-se mais vinho se for necessário para envolver toda a mistura.
Cola-se num recipiente de barro de preferência , e deixa-se marinar por uns 3 ou 4 dias, mas têm de se mexer todos os dias esta mistura para que fique toda a carne com os mesmo temperos.
Depois destes dias todos na marinada, realiza-se então o encher das tripas, estas do porco ou de compra.
Depois de as tripas cheias, vai a secar na ramada da lareira por uns dias até ficarem bem secas, onde depois vão ser guardadas para o consumo.
.Salpicão
A carne do porco da matança, corta-se o lombo em pedaços , tempera-se com alho, sal , loureiro e um bom vinho tinto.
A carne deve ficar toda coberta de vinho, e posta em camadas alternadamente com o vinho, e deixa-se marinar durante 4 ou 5 dias.
Depois vai se realizar o enchimento nos tripos do porco da matação ou de compra.
Vai a secar na ramada da lareira até ficarem secos , e vão ser guardados para depois nas sementeiras para a merenda.
Semana Santa
Na semana santa, é por tradição, a partir de quinta feira à tarde, não se trabalhar, principalmente nas terras, ou seja fazer sementeiras etc etc.
quarta-feira, 20 de abril de 2011
BOLOS PODRES (Lamego)
Ingredientes:
1 Kg de farinha de trigo
12 ovos
1,5 dl de azeite
15 g de fermento de padeiro
sal
água morna
gema de ovo para dourar
Modo de preparação:
Desfaz-se o fermento num pouco de água
com umas pedras de sal. Desmancham-se os
ovos e junta-se o fermento e o azeite a
ferver. Mistura-se a farinha, amassa-se e
bate-se a massa até estar bem sovada. Tapa-se
com um cobertor e deixa-se levedar.
Depois formam-se bolos.
Douram-se com gema de ovo e vão ao forno
bem quente em tabuleiro polvilhado com
farinha.
PÁSCOA - Seu Significado
A PÁSCOA, além de ser considerada uma das principais festas cristãs, sempre representou a passagem de um tempo de trevas para um tempo de luz. Na verdade, (peschad), em grego (paskha) e no latim (pache), ou seja, passagem, é a verdadeira tradução para o vocábulo “páscoa”, em nossa língua. Um dos significados seria a transição anunciada pelo equinócio da primavera do hemisfério norte, que ocorre no dia 21 de março, e na do sul, em 23 de setembro. Para que entendamos o significado da Páscoa cristã, é preciso que voltemos no tempo até a Idade Média, antes de partirmos para “o começo de tudo”... Os antigos povos pagãos da Europa, homenageavam Ostera – Esther, em inglês, que quer dizer Páscoa. Ostera (ou Ostara) é a deusa da primavera, que segura um ovo enquanto observa um coelho, símbolo da fertilidade, a pular alegremente em redor de seus pés nús. A deusa e o ovo, portanto, são símbolos da chegada de uma nova vida. Na mitologia grega, Ostara equivale a Persephone e na mitologia romana, a Ceres.
Tais povos pagãos comemoravam a chegada da primavera decorando ovos, costume que surgiu na Inglaterra, durante o século X, no reinado de Eduardo I (900-924), que tinha o hábito de banhar ovos em ouro para ofertá-los aos seus amigos e aliados. Pintar ovos a mão também é uma tradição que acompanha os ucranianos em quase toda a sua história.r Para eles, receber ovos pintados traz boa sorte, fertilidade, amor e fortuna. Geralmente esses ovos são de galinha, ganso ou codorna e requerem um trabalho artesanal minucioso.
Em hebraico, temos o “pessach”, a chamada “Páscoa Judaica”, que se originou quando os hebreus, há mais ou menos três mil anos, celebraram o êxodo e a libertação do seu povo pelas mãos de Moisés, após quatrocentos anos de cativeiro no Egito. Comemoravam, assim, a passagem da escravidão para a libertação: saíram do solo egípcio, ficando quarenta anos no deserto até chegar à região da Palestina, a terra prometida, atualmente chamada Israel. A comemoração inclui, entre outras coisas, uma refeição onde se come o Cordeiro Pascal, o pão àzimo (sem fermento), também conhecido como ”matzá”, ervas amargas e vinho tinto. A festa da Páscoa passou a ser cristã após a última ceia de Jesus com os apóstolos, na quinta-feira santa. Os fiéis cristãos celebram a ressureição de Cristo e sua ascenção ao céu. As imagens deste momento são a morte de Jesus na cruz e a ressurreição. A celebração completa tem início na quarta-feira de cinzas e se conclui no domingo de Páscoa; é o período chamado de Quaresma.
A data cristã foi fixada durante o Concílio de Nicea, em 325 d.C, como sendo “o primeiro domingo após a primeira lua cheia que ocorre após ou no equinócio da primavera boreal, adotada como sendo o dia 21 de março”.
A ORIGEM DA SIMBOLOGIA DO OVO
O ovo é um símbolo que se explica por si mesmo. Contém o germe, o fruto da vida que representa o nascimento, o renascimento, a renovação e a criação cíclica. De um modo simples, podemos dizer que o ovo é o símbolo da vida.
Celtas, gregos, egípcios, fenícios, chineses e muitas outras civilizações acreditavam que o mundo havia nascido de um ovo. Na maioria das tradições, este “ovo cósmico” sempre aparece depois de um período de cáos.
Na Índia, por exemplo, acredita-se que uma gansa de nome Hamsa (um espírito considerado o “sopro divino”), chocou o ovo cósmico na superfície de águas primordiais e, daí, dividido em duas partes, o ovo deu origem ao céu e a terra. O céu seria a parte leve do ovo, a clara, e a terra, a mais densa, ou seja, a gema. Para os chineses, o mito do ovo cósmico também faz parte das tradições. Antes do surgimento do mundo, quando tudo ainda era cáos, um ovo semelhante ao de galinha se abriu e, de seus elementos pesados, surgiu a terra (Yin) e, da parte leve e pura, nasceu o céu (Yan). Também para os celtas o ovo cósmico é comparado a um ovo de serpente: assim, a gema representaria o globo terrestre; a clara, o firmamento e a atmosfera; a casca, a esfera celeste e os astros.
Para os cristãos, o ovo surge como uma renovação periódica da natureza. Algo como o mito da criação cíclica. Em muitos países europeus, ainda hoje há a crença de que comer ovos no domingo de Páscoa traz saúde e sorte por todo o resto do ano. Há quem acredite que um ovo posto numa sexta-feira Santa afasta as doenças...
POR QUE OVOS DE CHOCOLATE E COELHO?
Ambos foram trazidos de antigos rituais pagãos de fertilidade da primavera, que aconteciam na Europa e no Oriente Médio e eram relacionados à ressurreição. O coelho da Páscoa representa o renascimento da vida. No Egito antigo, o símbolo da fertilidade era a lebre. Já na Europa, é também o coelho que representa o renascimento da vida pois a Páscoa européia coincide com o início da primavera. Assim que a neve se derrete, a vida ressurge e os coelhos deixam suas tocas após a hibernação do inverno. Do outro lado do mundo, com a chegada da primavera, os chineses costumavam presentear seus amigos com ovos que eram embrulhados em cascas de cebola e cozidos com beterraba. Quando retirados do fogo, eles apresentavam desenhos mosqueados na casca.
A partir do século XIII, a igreja católica adotou o ovo como símbolo oficial da Páscoa. Quanto ao fato de serem de chocolate, a explicação mais provável tem a ver com o início da produção de chocolate em larga escala, pela indústria, no ano de 1828. Interessante destacarmos que como os primeiros cristãos celebravam a ressurreição de Jesus ao mesmo tempo em que os judeus comemoravam sua Páscoa, vários costumes e símbolos da festa judaica foram incorporados às tradições cristãs. O cordeiro é um exemplo. Presente na Páscoa dos judeus, ele simboliza, para os cristãos o próprio Jesus Cristo, que foi crucificado para pagar os pecados dos homens. Alguns costumes da Páscoa, entretanto, permanecem apenas no Oriente. Na Rússia, por exemplo, há cristãos que se cumprimentam no dia da Páscoa com a saudação: “Cristo ressuscitou”; e a resposta: “Ressuscitou realmente”.
No sábado de Aleluia, os países ibéricos e suas colónias, têm o hábito de fazer a chamada “malhação de Judas”, o apóstolo que traiu Jesus. Apesar de ser uma tradição já ultrapassada e condenada pela igreja católica, também algumas cidades brasileiras ainda a praticam.
O SIGNIFICADO DA PÁSCOA
A palavra Páscoa vem do hebraico, Pessach que, conforme já foi dito, significa “passagem”. Os antigos hebreus foram os primeiros a comemorar a Páscoa. Para eles, historicamente, ele celebra a libertação do povo hebreu da escravidão do Egito. Livres, passaram a formar um povo com uma religião monoteísta. É com o sentido de libertação que, até hoje, os judeus celebram esta festa. Os cristãos também a comemoram. No entanto, sua origem é diferente no cristianismo apesar de ele ter se originado numa Páscoa judaica. Nela, celebra-se a ressurreição de Jesus Cristo que, segundo a Bíblia, ocorreu três dias depois da crucificação, durante a Páscoa judaica. É a principal festa do ano litúrgico cristão e, provavelmente, uma das mais antigas, pois surgiu no início do cristianismo. Ainda que todos os domingos do ano sejam destinados, pelas igrejas cristãs no mundo à celebração da ressurreição de Cristo (o que na igreja católica é feito através da celebração da eucaristia, nas missas), no domingo de Páscoa esse acontecimento ganha um destaque festivo especial.
A Páscoa é uma data móvel que acontece anualmente entre os dias 22 de março e 25 de abril. Como no hemisfério Norte esse período coincide com a chegada da primavera, o Pessach também é a festa do início da colheita dos cereais e da chegada da nova estação. É comemorada no primeiro domingo após a lua cheia do equinócio de março, ponto da órbita da terra em que se regista uma igual duração do dia e da noite. Mas há um modo bem mais prático de sabermos quando é domingo de Páscoa: basta contarmos quarenta e seis dias a partir da Quarta-feira de Cinzas. A Páscoa cristã é antecedida pela quaresma, período que dura quarenta dias entre a Quarta-feira de Cinzas e o Domingo de Ramos, que ocorre uma semana antes da Páscoa. Os católicos destinavam a Quaresma para fazer penitência, como o jejum, com o objetivo da purificação da alma e de obter o perdão divino pelos erros e faltas cometidos. O que era uma tradição seguida à risca, hoje tornou-se um esquecimento, o que não impediu de ainda existirem uns poucos católicos que a respeitem e cumpram, mas sem exageros ou fanatismos.
A TRADIÇÃO DOS OVOS DE PÁSCOA
A tradição dos ovos decorados chegou à Europa na Idade Média, levada pelos cruzados. Esta prática – pintar ovos para os festivais da primavera – era comum entre egípcios, persas, fenícios, gregos e romanos. Na Polónia e na Ucrânia essa tradição sempre foi levada muito a sério. Há ovos tão bem elaborados que nem podemos considerar mais apenas um ovo, e sim, verdadeiras jóias! Foram criados sob encomenda por um joalheiro russo, Carl Fabergé, que os confeccionou em ouro, prata e pedras preciosas. Estes, quando abertos, revelam pequenas imagens de pessoas, animais, plantas ou prédios e eram dados como presente pelo imperador russo.
CÍRIO PASCAL
O Círio Pascal é uma grande vela cuidadosamente decorada com vários símbolos e sinais que, para os católicos, nas celebrações eucarísticas, representa a figura de Jesus Cristo Ressuscitado. A chama do Círio, acesa, simboliza a luz de Cristo que um dia afirmou a seus seguidores: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12b). Lembra também a coluna de fogo – mencionada na Bíblia, no livro do Êxodo 13,21 – que precedia o povo hebreu na caminhada para a libertação da escravidão do Egito, através do deserto, rumo à Terra Prometida. O Círio tem gravado em sua haste uma grande cruz. Nas extremidades superior e inferior, em sentido vertical, estão escritas as letras gregas Alfa e Ómega (primeira e última letras do alfabeto grego) simbolizando a eternidade de Jesus Cristo, o princípio e o fim, o ontem e o hoje, pois para ele são dedicados o tempo, a eternidade, a glória e o poder pelos séculos sem fim representados pelos algarismos do ano em curso e gravados nos quatro ângulos da cruz. Sobre a cruz são colocados cinco grãos de incenso, simbolizando as chagas de Jesus, causadas por sua crucifixão. Acende-se o Círio Pascal na missa do Sábado de Aleluia, ou Sábado Santo, que precede o Domingo de Páscoa, e em todas as missas dominicais celebradas até o Domingo de Pentecostes.
TRIGO E UVA
Eram os alimentos básicos nas refeições judaicas. Simbolizam também o trabalho cooperativo dos homens: um semeia, outro colhe, outro mói, outro coze. Porém, o maior significado destes símbolos, para os cristãos, é decorrente do pão e do vinho que, usados por Jesus em sua última ceia com os seus discípulos, foram por ele assumidos como seu Corpo e Sangue, o que transformou estes alimentos no sacramento da eucaristia: “Tomai e comei, isto é meu corpo”. Depois, tomou um cálice e, dando graças, deu a eles dizendo:” Bebei dele todos, pois isto é meu sangue, o sangue da Nova Aliança, que é derramado por muitos para a remissão dos pecados”. Mt 26, 26-28
CORDEIRO PASCAL
Mais um símbolo forte, herdado do povo hebreu que, ao sair do Egito, orientado por seu líder Moisés, recebeu de Deus a ordem de, a cada ano, na lua cheia da primavera, fazer uma reflexão em família, tendo como prato principal, o cordeiro, cujo sangue seria utilizado para marcar os umbrais das portas de suas moradas e assim livrar seus antepassados da morte, além de a carne lhes servir de sustento na longa caminhada através do deserto. O Cordeiro para eles significava o “ Deus que tirava o pecado do mundo”. Jô 1, 29.
Jesus posteriormente assumiria para si este sinal identificando-se como o único e verdadeiro Cordeiro de Deus, que com seu Sangue derramado na cruz libertaria a humanidade das consequências de seus pecados, e pela Eucaristia se faria alimento espiritual para o povo cristão, neste peregrinar de volta ao Pai.
CRISTÓS
Este é um dos mais antigos símbolos de Cristo, muito usado pelas primeiras comunidades cristãs. Consistia nas duas primeiras letras da palavra “CHRISTUS” (em grego, CRISTOS); entrelaçadas e cercadas de uma grinalda de louros (Triunfo de Cristo)
PEIXE
Logo a pós a crucifixão de Jesus e nos primeiros séculos do cristianismo, os cristãos sofreram violentas repressões por parte dos sacerdotes judeus e das autoridades romanas. Nesta época de perseguições, os cristãos não podiam falar publicamente o nome de Jesus, pois poderiam ser presos e martirizados. Estrategicamente recorreram ao uso da palavra “Peixe” (ICTUS, em grego) pois cada letra desse vocábulo corresponde à inicial da afirmativa: Jesus Christus Dei Filius Salvator (Jesus Cristo, Filho de Deus Salvador). Em suas casas e nas roupas que usavam, pintavam a figura de um peixe como sinal de sua profissão de fé em Jesus Cristo. Depois de ressuscitado, em uma de suas aparições, Jesus serviu-se de peixe e ofereceu-o aos Apóstolos. Este gesto, associado ao milagre da multiplicação de pães e peixes que alimentou uma multidão de pessoas, ocasionou a oportuna associação do peixe ao tempo Pascal.
terça-feira, 19 de abril de 2011
Páscoa - Tradições, usos e costumes
Estamos já à porta da Páscoa, seguramente a maior celebração do calendário da liturgia da religião católica, embora o Natal, pela sua natureza e tradição, seja vivido de uma forma mais abrangente, talvez porque na primeira esteja envolvida a Paixão e morte de Cristo e na segunda, o Seu nascimento.
Na realidade, numa perspectiva humana, a vida sempre esteve impregnada de festividade e de alegria. Pelo contrário, a morte, é em si própria uma fatalidade da génese humana, sempre associada a momentos de dor, de luto, de perca e tristeza, do desprendimento final e forçado das coisas terrenas. É certo que há culturas que encaram a morte de uma forma mais natural, em algumas situações até com alegria, mas mesmo na religião católica, onde se crê que a morte é apenas uma passagem para uma outra dimensão, espiritual, essa foi sempre uma realidade muito pouco compreendida e cultivada, mesmo à luz da Ressurreição de Jesus Cristo.
Seja como for, a Páscoa é uma celebração que comporta em si mesma dois estádios de vivência antagónicos: A morte e o triunfo da vida sobre a mesma pelo que nela pervalece sobretudo a alegria.
Tal como o Natal, a celebração da Páscoa está repleta de tradições, desde as religiosas até às pagãs, bem como a inseparável culinária e gastronomia a ela associadas.
Na parte religiosa, toda a quadra é iniciada no Domingo de Ramos, uma semana antes da Páscoa, relembrando a entrada triunfal de Jesus na cidade santa de Jerusalém, entre aclamações num ambiente de júbilo e louvor, num simbolismo contraditório do que iria suceder nos dias precedentes. Quantos dos que O aplaudiram triunfalmente às portas de Jerusalém, nesse Domingo, dias depois O incriminaram e gritaram para ser crucificado, julgando-O ao nível de um reles salteador e criminoso?
Na Quinta-Feira Santa, comemora-se a celebração da Última Ceia, de Cristo com os seus discípulos e toda a sua carga simbólica como instituição da Eucaristia. Depois a retirada para o Jardim das Oliveiras, o abandono dos discípulos na sua dolorosa vigília e a traição de Judas. De seguida o aprisionamento, o interrogatório, a negação de Pedro, o flagelo e a condenação de Jesus, culminando toda a carga dramática com a Sua morte por crucifixão, ladeado por salteadores também condenados, depois de percorrido todo o doloroso caminho do Calvário.
Para além da celebração e vivência de todas estas etapas, muitas terras têm fortes tradições associadas, como seja a reza da Via Sacra, quer nas igrejas quer percorrendo os percursos chamados de calvários, ainda presentes em muitas freguesias.
Cristo ladeado pelos salteadores), neste quadra são envoltos com um pano roxo, cor associada à Paixão.
Há terras onde estas faixas são colocadas, durante a Semana Santa, numa das janelas ou porta de cada casa, sendo, depois da Ressurreição, já no Domingo de Páscoa, substituídas por cruzes floridas.
São, de facto, muito diversas as tradições por este nosso país fora, variando de terra para terra.
Já no dia de Páscoa, ainda sobrevive a tradição da Visita Pascal, também conhecida por compasso.
Na minha aldeia, ainda se faz a visita Pascal(uma cruz) a percorrer todas as casas da aldeia.
Ainda quanto à minha aldeia, as entradas de casa, junto ao portão da rua, são decoradas com alecrim, verdura e flores, como sinal de que se pretende receber a vista da Cruz, grinaldada, simbolizando Cristo Ressuscitado.
Pelo meio, há a salientar todo o leque de doçaria caseira, desde o bolo podre a regueifa doce, até ao pão-de-ló, doces de coco, doce de amêndoa, biscoitos, etc. Não podem faltar as amêndoas revestidas a açúcar e, claro, o bom espumante português.
Recordo que, nos meus tempos de criança, os dias que antecediam a Páscoa eram dedicados quase exclusivamente à limpeza anual da casa e a cozinha transformava-se literalmente numa pastelaria, sendo, entre outras doçarias, confeccionada de modo artesanal a saboroso bolo podre.
Era uma delícia quando o mesmo saía do forno a fumegar. Na minha tarefa de ajudante de minha mãe , barrava com manteiga derretida as belos bolos podres . Estes bolos podres eram depois armazenadas em caixas de madeira, envoltas em brancos lençóis de linho, pelo que passado mais de um mês ainda se consumia bolo podre com sabor a fresco.
A quem não desperta vivas memórias e nostalgias este tempo festivo da Páscoa?
Costumes em Meijinhos
Freguesia de Meijinhos, sendo uma terra muito antiga, naturalmente foi acumulando bastantes tradições. Muitas delas já se perderam, outras resistem ainda, mas caminham a passos largos para a sua extinção. É pois importante a recolha destas tradições. Vamos tentar descrever algumas delas, segundo o calendário:
— Janeiras
Grupos de rapazes cantavam à noite as “Janeiras”. Durante vários dias percorriam todas as casas da freguesia a pedir as Janeiras que normalmente eram constituídas por ofertas em dinheiro ou produtos alimentares. A recolha feita revertia a favor do grupo que se divertia imenso nesse convívio alegre e saudável. Estas eram algumas das quadras cantadas nas
“Janeiras”:
Ainda agora aqui cheguei Já pus os pés nas escadas Logo o meu coração disse: - Aqui mora, gente honrada. Aqui mora gente honrada Assim era o meu destino Venha-nos dar as Janeiras Em louvor do Deus menino. Levante-se minha Senhora Desse banquinho de prata Venha-nos dar as Janeiras Que está um frio que mata. Venha-nos dar as Janeiras Se lá houver de dar Que nós somos de muito longe Temos muito para andar. Levante-se minha Senhora Desse banquinho de cortiça Venha-nos dar as Janeiras A morcela ou a chouriça. Quando os donos da casa não se resolviam abrir a porta o grupo cantava-lhe assim:
Cantamos e recantamos E voltamos a cantar Estes barbas de farelo Não têm nada para dar.
— Carnaval ou Entrudo
O Carnaval festeja-se dum modo muito simples, popular e muito divertido. Saíam à rua alguns figurantes mascarados com roupas muito velhas e rasgadas. Estes figurantes percorriam as ruas principais da freguesia, assustando com paus as pessoas que assistiam ao desfile. Muitos destes entrudos vinham acompanhados de burros e cumpriam o ritual das visitas à taberna, onde naturalmente eram convidados a beber. Rebentavam-se as bombas de Carnaval que eram guardadas desde a festa do S.Brás. Nessa festa a rapaziada percorria os campos onde caíam as canas não rebentadas dos foguetes.
— Ladainha
Pela quaresma, a rapaziada de Meijinhos juntava-se, diariamente, no ribeiro e dirigia-se para a Igreja Paroquial de Meijinhos(agora Monumento Nacional), rezando a ladainha, numa manifestação curiosa e popular do fervor religioso existente em Meijinhos. Este grupo de rapazes tinha um regulamento interno que previa multas para quem faltasse às ladainhas.
— Engraxar - Engraxar
Este costume do “engraxar, engraxar” era uma espécie de contracto entre duas crianças, feito com um gesto de dedos unidos, selado com esta cantilena:
“Engraxar, engraxar, quando te mandar rezar, reza.”
Depois de hora a hora, quando se encontravam, o 1º a ver o outro gritava “reza” e ganhava vantagem para obter as amêndoas, desde que o outro não estivesse debaixo de telha. O último a receber a ordem de “rezar” até Sábado de Aleluia ficava com a obrigação de comprar as amêndoas ao outro no dia da festa do S.Brás.
— As Alvíssaras
À meia noite de Sábado de Aleluia, os sinos da Igreja anunciavam a ressurreição de Jesus. À mesma hora a rapaziada cantava as alvíssaras de casa em casa. Às 4 horas da manhã, no adro da igreja, de joelhos junto à porta principal rezava-se em louvor da Sagrada Ressurreição. O canto entoado evoca a mãe de Jesus e outros Santos venerados na igreja.
Virgem, Mãe de deus, dos Anjos Onde tendes a morada? - Lá no cimo do lugar, Numa capela caiada.
Virgem, Mãe de deus, dos Anjos Onde creis que Vos encontre? - Lá ao cimo do lugar No carreirinho da fonte
Virgem, Mãe de deus, dos Anjos Alvíssaras vimos pedir, O vosso bendito filho Já tornou a ressurgir!
Virgem, Mãe de deus, dos Anjos Alvíssaras vimos tirar; O vosso bendito filho Já tornou a ressuscitar;
Por cima coberta de ouro, Por baixo de prata fina De roda cercada de anjos Ó que linda companhia.
Senhor S. Sebastião, Cavalheiro bom e forte, Acompanhai-nos na vida E tão bem na morte.
Senhor S. Sebastião Cavalheiro bom e que gesto Toda a minha vida Eu hei-de viver convosco
Divino Espírito Santo, A pombinha quer fugir Se fugir que vá embora Que ela tornará a vir.
Divino Espírito Santo, Divino Consolador, Consolai a minha alma Quando deste mundo for.
Vamos ver a casa santa Onde os anjos têm morada Onde está o cálice bento E a hóstia consagrada.
Vamos ver a casa santaOnde os anjos são croados Onde está Nosso Senhor Jesus Sacramento.
Vamos ver a casa santa Onde os santinhos todos estão Onde está Nosso Senhor E o milagroso Santo Antão.
Já lá vem o Padre Eterno Do seu divino palácio Com a pombinha ao peito É Jesus Cristo nos braços
Divino Espírito Santo Sois Pai de Piedade, Sois a terceira pessoa Da Santíssima Trindade.
Milagroso Santo Antão Que tendes no campanário Um galo preto romano Que canta que é um regalo!
Passarinhos que cantais Na oliveira da esquina, Cantai uma Avé Maria À Senhora Santa Sabina.
Passarinhos que cantais Na oliveira do adro, Cantai uma Avé-Maria À Senhora do Rosário.
Passarinhos que cantais Na oliveira de canto, Cantai uma Avé-Maria Ao Divino Espírito Santo!
Já lá vem amanhecendo Já lá vem o claro dia. Já lá vem Maria Rosa Já lá vem Rosa Maria.
Caminhando vai José, Caminhando vai Maria; Caminhando vai de noite Que de dia não podia.
Lá chegando a Belém, Já toda a gente dormia; O porteiro era ingrato Abrir as portas não queria.
São José foi buscar lume Enquanto amanhecia... São José veio com o lume E achou a Virgem parida
Passarinhos que cantaisNa oliveira maior, Cantai uma Avé-Maria Ao Divino Nosso Senhor!
Saia o sacramento fora A dar a volta à igreja; Torne-se a ir a recolher Onde toda a dente O veja.
Saia o Sacramento fora A dar a volta pelo adro; Torne-se a ir a recolher A caixinha do sacrário.
— Mês de Maria
No mês de Maio, à noite, rezava-se o terço na igreja . Esta celebração revestia-se de um carácter solene e festivo. No final do terço, as raparigas dirigiam-se ao altar de Nossa Senhora de Fátima, entoavam cânticos apropriados e ofereciam flores.
— Ceifas e Malhas
As ceifas eram uma actividade importante em Meijinhos pois o centeio e a cevada era cultivado por toda a freguesia. As mulheres de foice em punho cortavam o centeio enquanto que os homens o atavam e carregavam para os carros de bois a fim de ser transportado para as eiras onde eram malhados. A malha era feita a mangual. Grupos de homens alinhavam-se habitualmente em grupos de oito de cada lado. Havia sempre o “Cavaleiro” que incitava os malhadores com palavras ditas em alta voz: “Mais à frente...atira” “Mais longe... atira”, “Mais alto... atira”... Nas malhas havia sempre rancho melhorado. No inicio dos anos 60 começaram a surgir as malhadeiras que vieram revolucionar esta actividade.
— S. Martinho
No dia 11 de Novembro, dia de S. Martinho, havia uma rusga pela noite que terminava nos “copos”. A rapaziada arranjava um palhaço de palha com uma botelha e uma vela lá dentro, munida de chocalhos, numa gritaria e num choro estridente pela morte de S. Martinho. O cortejo dirigia-se finalmente para o sítio do “Ribeiro” onde um figurante desempenhando a função de padre fazia o elogio fúnebre a S. Martinho que era seguido de uma choradeira por parte dos companheiros. Procedia-se então ao funeral que consistia em queimar o palhaço e depois enterrar os restos nos baldios.
— Varejas
Nos meses de Dezembro e Janeiro faziam-se as varejas. Como em Meijinhos não havia olivais ,então iam ganhar o dia para o Douro onde se deslocavam vários KM a pé até chegarem as Quintas no Douro, onde já ficavam rogados das vindimas.Estas varejas terminavam com um convívio entre os intervenientes na vareja havendo rancho melhorado e vários jogos de animação.
— Missa do Galo – Consoada – Madeiro
Na noite de consoada reuniam-se as famílias a fim de passar esta noite especial. Depois todos iam à “Missa do Galo” celebrada com muita solenidade. Os rapazes queimavam o “Madeiro” até de madrugada junto ao ribeiro ou na Eira dos Paúlos. A lenha era arranjada pelos rapazes. Umas vezes pediam a lenha aos donos outras vezes era roubada nas encostas da serra. O carregamento da lenha durante a noite constituía sempre uma perigosa mas desejada aventura.
— Matança do Porco
Entre os Santos e o Natal faziam-se as matanças. Este acontecimento era sempre associada a uma reunião familiar em ambiente de festa. A matança tinha um ritual curioso: apanhar o porco no cortelho, colocá-lo no banco comprido, queimar os pêlos com palha, fazer-lhe a barba, lavá-la com pedras, pesá-lo e comer o primeiro petisco. As mulheres iam lavar as tripas para o Ribeiro . As chouriças, os salpicões e as farinheiras eram feitas mais tarde. Havia um almoço e jantar melhorado, como nos dias de festa.
— Bailes
Os Bailes eram habitualmente abrilhantados ao som de Concertina ou Realejo e violas, que dava uma volta ao povo para anunciar a realização do baile. À noite os rapazes organizadores do baile batiam às portas onde havia raparigas, a fim de pedirem autorização aos pais para que elas pudessem ir ao baile. Estes ou eram feitos na rua ou em casas particulares.
---Festa do S.Brás
A Festa ao Milagroso S.Brás, é realizada agora no primeiro fim de semana a seguir ao dia 3 de Fevereiro.
Escolhidos e nomeados os Mordomos, tratam de fazer vários Leilões (agora foram já esquecidos)onde os Meijinhenses faziam surpresas para depois leiloarem e assim se angariava algum dinheiro para a festa, que depois umas semanas antes das festas os mordomos vão por as terras vizinhas pedir a esmola e também tiram o rol na Freguesia.
Também nomeiam uns mordomos em Lisboa, onde por lá habitam muitos Meijinhenses que depois organizavam vários autocarros para virem a festa, onde eram recebidos com uma salva de morteiro.
São algumas tradições da nossa Freguesia.
segunda-feira, 18 de abril de 2011
PROVÉRBIOS E CULTURA POPULAR
A sabedoria popular traduz-se em muitas formas. Uma das mais curiosas, a ocupar no povo um lugar muito especial, é a forma de adágio ou provérbio. Usam-se para tudo. Para argumentar forte, ou para ensinar.
Eis alguns destes preciosos dizeres da filosofia Meijinhense:
1.Laranjas em Janeiro dão que fazer ao coveiro.
2.Se queres bom alheiro, planta o alho em Janeiro.
3.No dia de S. Brás olha o Inverno que faz.
4.Se está para a frente ou se está para trás.
5.Se no dia da Sra. Das Candeias (2 de Fevereiro) estiver a rir está o Inverno para vir, se estiver a chorar está o Inverno a acabar.
6.O vinho que nasce em Março fica no regaço.
7.Abril frio e molhado enche o celeiro e enfarta o gado.
8.O cebolo não gosta de mostrar a raiz em Maio.
9.Em Maio verás a água com que regarás.
10.Maio frio, Junho quente, bom pão, vinho valente.
11.Pelo São Tiago pinta o bago (25 de Julho).
12.Trovoada em Agosto, abundância de uva e mosto.
13.Pelo S. Simão e S. Judas colhidas são as uvas.
14.No dia de São Martinho, lume, castanhas e vinho.
15.Madruga e terás, trabalha e verás.
16.Depressa e bem há pouco quem.
17.Ao afortunado até o galo põe ovos.
18.Grão a grão enche a galinha o papo.
19.Quem não ceia toda a noite rabeia.
20.Em terra de cegos que tem olho é rei.
Lendas e Tradições de Natal
1. A história:
Em 25 de Dezembro, a cristandade celebra o nascimento de Jesus, fundador de uma religião que o considera o Messias ( Enviado ) e Filho de Deus. A data do seu nascimento é, na realidade, completamente desconhecida. As Escrituras, ou nada dizem sobre o assunto, ou dizem ( como é o caso do evangelho segundo Lucas, 2,6) que na noite em que Jesus nasceu os pastores guardavam, à noite e ao luar, os seus rebanhos, o que parece sugerir uma data primaveril. Só a partir do séc. II é que a Igreja entendeu dever situar no ano civil uma data para a celebração do nascimento de Jesus. Houve muito debate a esse respeito: Clemente de Alexandria propôs 18 de Novembro, outros 2 de Abril, 20 de Abril, etc. Nos séc. III e IV, todo o Oriente cristão celebrava o nascimento de Jesus em 6 de Janeiro, mas por essa mesma época, uma outra data começava a impor-se: 25 de Dezembro. Esta data coincide com o solstício de Inverno, que marca o período mais sombrio do ano, aquele em que os dias são mais curtos e as noites mais longas. A partir do final de Dezembro, a luz do dia começa lentamente a ganhar alguns minutos sobre a noite. A cristandade celebra na noite mais longa do ano o nascimento de Jesus, luz do mundo. Além disso, a Igreja “cristianizou” a festa pagã do deus Mitra, deus da luz, cujo renascimento se celebrava precisamente a 25 de Dezembro. A primeira menção latina do 25 de Dezembro como festa da Natividade remonta ao ano 354, mas nessa época nenhuma cerimónia particular lhe estava associada. A celebração do Natal começa, de facto, com Honório, que reinou no Ocidente de 395 a 423. Só nessa altura a Natividade passou a ser colocada em pé de igualdade com a Páscoa. Em 440, a Igreja decide oficialmente celebrar o nascimento de Jesus em 25 de Dezembro. Em 506, no concílio de Agde, o Natal tornou-se uma festa obrigatória. Em 529, o imperador Justiniano fá-lo um dia feriado. Por essa altura o frade Dionísio, o Pequeno, fixa de uma forma arbitrária o nascimento de Jesus no “ano 1”, que assimila ao ano 754 da fundação de Roma. A palavra natal é de origem latina ( dies natalis), e significa “(dia) do nascimento”. No Natal, mais do que em qualquer outra ocasião, os homens recordam-se do seu passado, da sua infância, dos seus antepassados. A noite, em embrião, contém o dia. Ao Inverno sucederá a Primavera. Uma esperança está a trabalhar em segredo. A luz voltará, mas sempre outra.
2.A árvore de Natal e o Presépio
A árvore de Natal é um dos símbolos por excelência da festa de Natal. O pinheiro, ou o abeto, são árvores de folha perene, sempre verde, o que explica a sua escolha para simbolizar a vida. Já em 580, o bispo, Martim de Braga proíbe “o uso pagão das folhagens e de louro” que as pessoas usavam para enfeitar as casas nos finais de Dezembro. A árvore de Natal, um abeto, aparece pela primeira vez representada num quadro de Lucas Cranach, o Antigo, em 1500. A árvore de Natal das festas cristãs é a herdeira de tradições antiquíssimas, de festas romanas em que uma árvore era carregada de fitas, comida e figuras de madeira. As primeiras árvores de Natal montadas em locais públicos foram erigidas na Alsácia a partir de 1700. Em França, a primeira aparição de um abeto de Natal, enfeitado e iluminado com velas, deu-se em 1837, no jardim das Tulherias, em Paris. A tradição impõe 12 velas, uma para cada mês do ano. Muitas famílias não prescindem de montar um “presépio” ( do latim estábulo ). A lenda diz que o primeiro presépio de Natal foi feito por São Francisco de Assis em 1223, numa gruta de Greccio, em Itália. Mas na realidade a representação do nascimento de Jesus numa gruta de Belém é muito mais antiga. Desde o séc. IV que se encontram em Roma cenas da Natividade esculpidas em sarcófagos. Mas foram os frades franciscanos que espalharam pela Europa a tradição de fazer um presépio no Natal. No imaginário tradicional, o presépio é representado sob a forma de uma gruta ou caverna. Nada disto consta dos evangelhos, mas a Igreja aceitou, cristianizando-a, a gruta da divindade pagã Mitra, nascido numa caverna.
3. À mesa !
A refeição de Natal é tradicionalmente um banquete desde tempos remotos. O prato forte começou por ser o porco/javali, símbolo de fecundidade, considerado um animal sagrado na Antiguidade, sacrificado pelos Romanos por ocasião do solstício de Inverno. Na Idade Média o mais célebre e apreciado prato da refeição de Natal era a cabeça de javali, tradição que perdurou até ao fim do séc. XVII. Por essa altura começou a sentir-se a concorrência do perú, animal originário do México. Sabemos que, já em 1542, o rei de Inglaterra Jaime I mandou servir perú no Natal, em vez de porco. No sul da Europa, nomeadamente na Provença ( França ) e em Portugal, a tradição da consoada de Natal é uma refeição magra, de bacalhau com batatas e hortaliças. Esta simplicidade é compensada com as sobremesas à base de ovos, frituras e frutos secos: amêndoa, pinhão, noz, passas, etc. A refeição de Natal é sempre acompanhada pelos melhores vinhos e pela música tradicional da quadra festiva. Os primeiros hinos de Natal, escritos em Latim, datam do séc.V. Esses primeiros cânticos, muito solenes, foram progressivamente sendo substituídos por cantos populares. Na Alemanha, país de grandes tradições musicais, nasceu a célebre canção “Ô Tannenbaum, ô Tannenbaum” ( “Meu belo abeto”) no séc.XVI. Em 1818, Joseph Mohr criou outra canção famosa em todo o mundo: “”Stille Nacht, heilige Naacht” ( “Noite doce, noite santa”).
4. O Pai Natal
atal sem prendas não é verdadeiramente Natal! A tradição de oferecer presentes por ocasião das festas do solstício de Inverno remonta aos Romanos que, durante as Saturnalia e as Calendas de Janeiro ofereciam prendas, chamadas strenae. A Igreja acabou por aderir a este costume pagão, cabendo o papel de distribuidor de prendas a São Nicolau, ou a São Martinho, ou ao Menino Jesus, segundo as regiões. Mais recentemente, popularizou-se a figura do Pai Natal, de características anglo-saxónicas: é um velho de barba branca, com um barrete de pele na cabeça, um casacão enorme, encarnado, orlado de branco, que se faz transportar a cavalo num burro ou num trenó puxado por renas. Traz uma grande sacola às costas: é aí que estão as prendas de Natal... Adaptação de Festejar o Natal, Lendas e Tradições, Alain de Benoist, Hugin, 1997 * A Ceia de Natal Pelo Natal e numa simbologia do significado corrente de que este dia é o dia da festa que consagra em volta da mesa da ceia o próprio espírito da casa e da família, presente nos vivos e na evocação dos mortos queridos. Em Vizela, tanto quanto se sabe, este pormenor com o ritual que se descreve a seguir, vai perdendo a sua continuidade, motivado isto pelo sentido cristão que foi dado ao Natal, desapegando-o de muitos costumes e práticas associados à evocação dos mortos, designadamente sob a forma da crença na comparência dos mortos de cada família, na casa onde viveram. Mesmo assim, e pelo Natal, migalhas que caiam da mesa da ceia, não são varridas pois que, de noite, os “anjinhos” virão comê-las. Noutras casas, o costume era ligeiramente diferente: sobre a mesa da ceia ficava apenas a toalha enrolada com as migalhas dentro para que de noite “os anjinhos” viessem comê-las. E só no dia seguinte elas eram sacudidas e asseada a mesa. A ceia de Natal e um outro costume que existiu em S. Miguel e noutras freguesias há décadas estão relacionados com a ideia de que o morto revive num outro mundo. Daqui também, o cerimonial do banquete dado ao morto ou a comida enterrada com este, aqui tomando sentido os lanches ou aperitivos ou refeições dados no velório e aos componentes das confrarias. Isto é, mudam-se as religiões, os ritos ancestrais mantêm-se. E com o tempo, este banquete foi substituído pela distribuição na forma indicada e que ainda há uns 30 anos era muito comum. E uma vez mais, entre os cristãos católicos, este costume degenerou ainda na oferta feita pelos familiares do morto ao sacerdote, a título de ofertório ou dobrada. Era o pé de altar.
domingo, 17 de abril de 2011
Medicina Popular-doenças e ervas medicinais
sábado, 16 de abril de 2011
ASPECTOS CULTURAIS DE MEIJINHOS E REGIÕES
A necessidade de reafirmar a natureza de um povo, bem como a preservação da sua cultura é cada vez maior. A raiz de um povo, a forma de ser e de estar na vida, tal como a maneira como a entendem define a sua cultura.
VINDIMAS
As vindimas e a apanha da fruta, são sem dúvida, uma manifestação cultural cheia de alegria por toda esta vasta região do Douro, no qual esta Freguesia está inserida. É o acontecimento agrícola que mais gente movimenta neste curto espaço de tempo. Do mais jovem ao mais idoso, é com enorme satisfação que todos querem participar. É uma festa onde não há lugar a canseira, pois o cansaço é eliminado pela grande vontade de cumprir a tarefa no menor espaço de tempo, aproveitando sempre que possível, as condições climatéricas favoráveis. Mulheres vamos às vindimas Vamos todos vindimar No fim da vindima feita Vão as uvas para o lagar Vindimai bem ó meninas Vede bem com atenção As uvas que deixares É a perda do patrão E no fim da vindima feita Ele nos deu a sua gratificação Vinho Branco, Vinho Tinto Faz-nos bem à refeição
DESFOLHADAS
As desfolhadas do milho eram alegres e divertidas, e quando o lavrador as anunciava, toda a gente se juntava para ajudar o seu vizinho. Este trabalho fazia-se de noite, ao luar, ou à luz da candeia para aproveitar o tempo. As pessoas dispunham-se à volta do monte de milho e, lançando as canas para trás, deitavam as espigas nos cestos que, depois de cheios, eram despejados em sacos, no cabanal ou no espigueiro onde permaneciam até ao vagar e o tempo serem propícios à escarola e à seca. Desfolhada, desfolhada Numa noite de luar No fim da desfolhada Cada um prende o seu par Rapazes e raparigas Cantai uma desgarrada Cantando lindas cantigas Na noite da desfolhada Vamos para a desfolhada Que é a nossa tradição Desfolhar lindas espigas Para fabricar o pão Vai de roda vai de roda Vai de roda bem saltada Eu perdi o meu amor No meio da desfolhada
A MATANÇA DO PORCO
Era para o lavrador o abastecimento da casa agrícola, pois que a salgadeira cheia era a melhor provisão para o ano inteiro. O presunto salgado, a chouriça, o salpicão, o lombo assado e os torresmos de conserva e as farinheiras, eram especialidade da região, que faziam a abastança da casa. A matança constituía uma festa intima que reunia familiares e amigos. Logo que os homens chegassem serviam-lhe um substancial mata- bicho como prelúdio do acontecimento. Aberta a pocilga, o bicho saía com vivacidade, dava uns roncos correndo à volta do pátio. Feito o cerco, um agarrava-o pelas orelhas, outro pela rabadilha e os demais pelas pernas. O cevado, cheio de vigor, estrebuchava, mas o sangrador deitava-lhe o laço ao focinho e, assim, já bem seguro, era deitado e amarrado num banco ali a jeito. Enquanto esperneava, roncando, roçando com toda a força, o sangrador tomava a enorme faca e, tirando o chapéu, fazia com ela o sinal da cruz, dizendo: “Deus me ajude”. Uma mulher aproximava-se com um alguidar onde previamente tinha sido deitado vinho e sal, recolhia o sangue, mexendo para não coagular. O porco estava morto, e retirado o alguidar para nele fazerem o ensopado de pão de trigo para as morcelas, era chamuscado com palha a arder até dar à pele. Esfregado com pedras, lavado, barbeado e pendurado pelo chambarril para ser esbuxado e enxugar durante dois dias, procedendo- se então à desmancha em peças destinadas à salgadeira e à confecção das conservas.
COSTUMES
O povo, que, por experiência, sabe as diferenças que há em cada mês (o agricultor preocupa-se mais com o tempo do que com a técnica) concebe as variantes climáticas nesta linguagem das mais populares: - Janeiro geadeiro. Se subires ao outeiro e vires negrejar põe-te a cantar. Se vires verdejar põe-te a chorar. Janeiro chuvoso ano perigoso. - Fevereiro aguadeiro, rego cheio. Fevereiro quente traz o diabo no ventre. - Março marçagão. De manhã cara de santo, de tarde cara de cão. De dia zumbe a abelha, à noite arreganha a ovelha. - Abril águas mil coadas por um funil. Queima a velha, o carro e o carril e dá a filha por um pão a quem a pedir, mas é se o vir. - Maio pardo faz o centeio grado e farta os burros de erva. As águas que hão-de regar de Abril e Maio hão-de ficar. - Junho marinheiro, faz grelar o centeio no rolheiro. - Julho a chuva bebem-na os pássaros no ar. Pelo S. Tiago cada pinga vale um cruzado. - Agosto quem guarda a malha para Agosto malha com desgosto. - Setembro secam as fontes, ardem os montes. Águas verdadeiras, pelo S. Mateus primeiras. - Outubro caem as folhas e nos rios corre o pranto da Natureza. - Novembro dos Santos ao Natal é Inverno natural. O Verão de S. Martinho é um dia e um poucochinho. - Dezembro mal vai Portugal, quando não vêm três cheias antes do Natal. O povo previa tempo bom quando: O vento estivesse fiteiro do Norte ou do Nascente; - O quarto de Lua coincidisse com o horário da manhã, em que o Sol estivesse de Sueste; - O mesmo em dias de chuva, ao pôr do Sol, o céu se apresentasse limpo do Norte; - A Lua nascesse com as pontas viradas ao cieiro (ao nascente); - Se visse uma pequena estrela junto da Lua (vento); - Em dois de Fevereiro (dia da festa da Sra. do Barrocal) estivesse a chover diziam: a senhora chora, está o Inverno fora; - Ao pôr do Sol o céu ficasse vermelho, ou as ovelhas andassem a saltar (vento). previa tempo mau quando: O vento frio puxasse de poente; - O fumo se estendesse rasteiro pelo vale da Várzea acima ; - Os burriqueiros (nuvens baixas e consecutivas) corressem do Sul; - As agudes saíssem do ninho muito activas; - As relas cantassem muito; - Os pássaros andassem a banhar-se; - As galinhas estivessem a espiolhar-se; - As nuvens formadas pela evaporação da água dos vales subisse verticalmente; - A Lua Nova nascesse com as pontas viradas ao poente; - O quarto da Lua coincidisse com o horário da tarde, isto é, estivesse de Sudoeste; - A Lua apresentasse um círculo à sua volta (largo, muita chuva; estreito, pouca chuva); - Orvalhasse na noite de S. Bartolomeu vinha o Inverno mais cedo; - Geasse na lama (chuva reclama); - No Outono o Sol fosse amoroso (quente e sem vento); - As têmporas (os três dias de jejum, quarta-feira, sexta-feira e sábado, no começo de cada uma das estações do ano) ficassem moles, isto é, se o vento à meia noite de Natal (a das cinzas) puxasse do poente;
Jogos Tradicionais
O Pião
– os jogadores fazem um circulo no terreiro e cada qual joga o pião dentro dele. Se sai, o jogador continua a jogar; se fica só é tirado às bicadas que os outros procuram dar-lhe. Quando eu era rapaz novo, Eu deitava o meu pião. E as moças me diziam Deita-mo aqui na mão.
Os Botões
– Cada um dos jogadores põe um botão junto ao fito. Medem três ou quatro passos e, sem ultrapassar o risco, cada um deles tenta aproximar a sua chapa do fito ou tombá-lo. Os botões que saltarem ou ficarem mais perto do fito ou da chapa são pertença sua. É um jogo excitante que fez com que alguns meninos arrancassem os botões das calças e fossem para casa com elas na mão.
Os Cantinhos
–traça-se um rectângulo e com duas linhas em cruz divide- se em quatro. Dois jogadores e três pedras cada um, dispostos nos extremos do rectângulo, vão-nas mudando indiscriminadamente e a vitória cabe àquele que primeiro conseguir colocar as três pedras no risco do meio ou no lado adverso.
A Bilharda
– O jogador com a bilharda na mão esquerda e o pateiro na direita, bate-a lançando-a para longe. Um jogador da equipa contrária apanha-a e atira com ela para o pequeno circulo feito no chão onde se encontra o jogador e, se não consegue metê-la, o jogador do pateiro faz um risco junto dela e o adversário, sem ultrapassar o risco, procura introduzi- la no circulo. Se conseguiu (sem que a ponta da bilharda toque o risco) muda da mão, se ficar de fora, é batida na ponta com o pateiro e, saltando, bate-lhe outra vez no ar para fazer ir mais longe donde mede com o pateiro ou medidor até o circulo. Se ficou queimada (sobre o risco) continua a jogá- la. Batendo duas vezes sem saltar perde e muda de mão. Caso não aconteça, continua até completar. O jogo é de trinta pontos bons e maus. Depois do jogo acabado cabe a vez aos outros e só então é que as equipas mudam de lugar.
A Luta de Tracção à Corda
– traça-se um risco. A meio da corda põe-se um sinal vermelho e, à distância de dois metros, dum lado e do outro deste, outro sinal branco. De cada lado do risco põem-se as equipas em número igual de pessoas e pegam a corda de modo a que o sinal vermelho fique sobre o risco. O árbitro dá o sinal de partida e uns e outros agarram na corda e puxam o mais que puderem. A vitória será da equipa que fizer coincidir o risco do sinal branco do lado do adversário. - É desclassificada a equipa que: - fizer covas no solo - levantar os dois pés do chão - tocar no chão com qualquer parte do corpo - voltar as costas à equipa adversária - enrolar a corda ao corpo do concorrente da ponta.
O Mastro
é um pinheiro com 6 a 8 metros de altura, descascado e bem ensebado, espetado no chão, no topo do qual se colocam prendas tentadoras como, por exemplo, um bacalhau, uma garrafa de vinho do Porto, um galo ou uma caixa de biscoitos. Os concorrentes vestem as roupas velhas, tentam trepar e fazer as colheitas dos prémios apetecidos. Mas escorregando tem de começar a subida que sendo uma prova de força e resistência não é para qualquer um. Todavia, com o uso de resina, de terra e o auxilio dos pés, ao fim de algumas tentativas, o mais esforçado concorrente consegue deitar a mão aos prémios, sendo galardoado com uma salva de palmas dos circunstantes e de um toque de música sempre presente nos dias de festa.
Janeiras e Reis
Pedir as Janeiras e Reis é uma velha tradição que se transmite de geração em geração. Os rapazes vêm para a rua e, juntando-se em grupos cantam de porta em porta: Viva a senhora Antoninha Debaixo do seu chapéu. Quando vai para a igreja Parece um anjo do céu Estas casas são bem altas Forradinhas de cortiça. Venha-nos dar as janeiras Seja morcela ou chouriça Levante-se D. Aninha Do seu banquinho de prata. Venha-nos dar as Janeiras Que está um frio que mata.
Carnaval
O Carnaval é uma festa dos tempos pagãos em que a juventude se divertia com brincadeiras como o jogo dos cântaros e panelas de barro, os toques de harmónio e caldeiros, com cegadas bizarras, bailes de máscaras e toques espalhafatosos. Nestes dias cada qual vendia o seu jogo e dava largas à sua imaginação que se destinguia pelo requinte das histórias e ditos maliciosos e das críticas brejeiras ridicularizando as pessoas e costumes. As cantigas à desgarrada ou o improviso poético de cantigas à viola era um rito pagão que ainda hoje perdura nos costumes populares. Onde quer que soasse a concertina, o harmónio ou a gaita de beiços, logo apareciam os cantores à desgarrada rodeados de muitos admiradores para julgarem e aplaudirem as quadras mais graciosas. Era uma linguagem espirituosa, uma polémica mordaz de muitas horas que do disse-disse ao sabe-sabe acabava nos meandros da vida intima. (...)A cantar ao desafio, Comigo ninguém pode; Pois a qualquer figurão Eu lhe darei um bigode. - Se nem tens p’ra ti, Que bigode podes dar? Arranja mas é uma cabra P’ra te acabar de criar. - Já não preciso de cabra, Nem de conselhos também. Eu criei-me a tempo inteiro Ao jeito da minha mãe. - És senhor do teu nariz! Mas que te vale o caroço? A um galaroz como tu Qualquer um torce o pescoço. - Quantos peixes tem o mar ‘Inda lá não fui ao fundo. Diz-me lá, ó cantador, Quantos homens há no mundo? - Quantos homens há no mundo, Nem todos usam chapéu; Diz-me lá por cantigas Quantos anjos há no céu?
Páscoa
É costume fazer-se a visita Pascal ou seja, o Pároco ir a casa dos seus paroquianos com a imagem de Cristo. era costume ainda na Freguesia de Meijinhos realizar-se a Via Sacra, que consiste na representação humana do período que precedeu à morte de Cristo (julgamento, coroação de espinhos, carregamento da cruz e crucificação no calvário).
Santos Populares
Os Santos Populares eram festejados no templo e na rua com tanto ardor que, de dia e de noite, o povo lhe rendia graças com a alegria espontânea da sua fé, manifestada nas festas e cantares. Essa popularidade que os consagrou nasceu na prática da conversão dos infiéis e das suas qualidades e virtudes. Ai ó meu rico Santo António Ai ó meu santo marinheiro Tu hás-de ser o meu compadre Ai do meu menino primeiro Ai meu rico Santo António Ai ó meu santo milagreiro Heide te pedir a coroa Ai que me cases a mim primeiro. São João p’ra ver as moças Fez uma fonte de prata, Mas se as moças não vão lá São João todo se mata Ó meu rico São João, Ó meu santo milagreiro, Dá-me uma moça bonita Que tenha muito dinheiro. Repenica, repenica, repenica, São João a suar em bica. Repenica, torna a repenicar, São João há-de-me casar.
PROVÉRBIOS
1. Águas passadas não movem moinhos. 2. Até ao lavar dos cestos é vindima. 3. A reconquista é mais difícil do que a conquista. 4. A vaidade é orgulho dos tolos. 5. A lanterna que vai à frente ilumina duas vezes. 6. À noite todos os gatos são pardos. 7. Água e mulher, só boa se quer. 8. Amor com amor se paga e, com desdém se paga também. 9. Amor e carinho tudo vence. 10. A aveia até Abril está a dormir. 11. Abril águas mil. 12. A galinha da vizinha é sempre mais gorda que a minha. 13. Albarde-se o burro à vontade do dono. 14. Até ao fim do Natal, crescem os dias num saltinho de pardal. 15. A necessidade é a mestra do engenho. 16. A sinceridade vence o furor . 17. A erva, Maio a dá, Maio a leva. 18. Agosto temporal, sol na eira e chuva no nabal. 19. A capa e a merenda nunca carregaram ao pastor. 20. A excepção confirma a regra. 21. A união faz a força. 22. A mulher quer-se pequenina como a sardinha. 23. Ao menino e ao borracho põe Deus a mão pôr baixo. 24. Amigo que não presta e faca que não corta, que se percam pouco importa. 25. Antes quero asno que me leve que cavalo que me derrube. 26. Ande o frio por onde andar, pelo Natal há-de chegar. 27. Apanha com o cajado quem se mete onde não é chamado. 28. A mentira só dura enquanto a verdade não chega. 29. A tua fama longe soa e mais depressa a má que a boa. 30. A casamento e baptizado não vás sem ser convidado.
MEDICINA ANTIGA
toda a gente sabe que noutros tempos as pessoas não procuravam médicos quando se sentiam doentes, utilizavam elas os seus próprios métodos para curar certas doenças. Antigamente as ervas e produtos naturais é que ajudavam a ultrapassar essas doenças. Cabelo - As raparigas para fazerem crescer o cabelo entalavam uma madeixa numa cana em crescimento. Cólicas - Colocavam um pano sujo e por cima um testo de ferro quente nas brasas. Comichão - Usavam como lenitivo lavagens com cozimento de saponaria. Constipação - Comiam alho, ingerindo chá de sabugueiro ou uma “borracheira” de vinho quente com mel, ao deitar. Dor de Barriga - Quando as crianças se queixavam de dor de barriga untavam-na com azeite quente. Dor de Dentes - Na desesperada dor de dentes aplicavam vinagre com sal. Calos - Nestes aplicava-se alho esmagado, amiudadas vezes. Ciática - É uma doença rebelde que começa na nádega e se estende dolorosamente pela perna. Além do uso de panos quentes, pomadas e fricções, comiam alho descascado em jejum durante nove dias. Quebranto - Doença que se revela com fraqueza e abatimento físico, proveniente dos males do estômago, do fígado e dos rins. A superstição popular tomava-o por mau olhado e recorria às rezas. Cravo - Nesta pequena excrescência que se forma na pele da cara ou das mãos faziam-lhe sangue e deitavam-lhe leite dos figos ou apegavam-se à Santa Eufémia com promessas. Eczema - Mal de pele que se caracteriza pela exsudação, pele escamosa e forte comichão. Tomavam chá de agrião, de alfazema e esfregavam a pele afectada com casca de noz e da bugalha da folha do cravo. Espinhela caída - Era medicada com rezas e esticões dos braços e das pernas para que, no dizer das rezadeiras, um não ficasse mais curto que o outro.
COZINHA TRADICIONAL
Primitivamente, o homem devorava as ervas, certas raízes, frutos silvestres e a carne dos animais para satisfazer a gula e as necessidades do corpo. Mas à medida que se foi multiplicando, os alimentos foram faltando e, então, dedicou-se à agricultura, à caça e à pesca. A Cozinha tradicional do concelho é rica e variada : - Caldo casado da região (de unto com azeite). - Caldo de cebola. - Sopa de feijão com couves. - Sopa de castanhas secas. - Papas laberças (de farinha de milho com couves). - Papas de milho rolão com toucinho. - Torresmos de vinho de alhos com batatas à racha. - Cozido à portuguesa. - Migas de broa de centeio, com bacalhau, alho e azeite. - Feijão com couves temperado com azeite e vinagre. - Feijão guisado com toucinho e chouriço. - Pimentos assados ou de cebolada com sardinha. - Cabrito grelhado ou estufado - Arroz de grelos com entrecosto e chouriça. - Arroz de Míscaros com costelas em vinho de alhos. - Castanhas assadas ou cozidas. - Broa de Milho. - Pão de Centeio. - Filhós e rabanadas. - Arroz doce. - Bolos de azeite ou da Páscoa. - Vinho do Dão. - Queijo Serra da Estrela. - Maçã Bravo de Esmolfe. - Milhos


